Segunda fase da operação mira suposto esquema envolvendo recursos destinados ao Hospital de Sidrolândia; MP aponta superfaturamento, contratos direcionados e repasses a agentes políticos

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deflagrou, nesta quarta-feira (7), a segunda fase da Operação Dirty Pix, investigação que apura supostos desvios de recursos públicos destinados à saúde e que tem como um dos pontos centrais o Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia.
A nova fase é realizada pela 3ª Promotoria de Justiça de Sidrolândia, pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Segundo nota oficial do MPMS, estão sendo cumpridos três mandados de prisão preventiva e 25 mandados de busca e apreensão. As ações acontecem em Sidrolândia, Campo Grande, Maracaju e Selvíria.
Investigação cresceu após primeira fase
A Dirty Pix começou investigando suspeitas de desvios de dinheiro público destinado à compra de um aparelho de ressonância magnética e de uma autoclave hospitalar.
Os recursos eram provenientes de convênio firmado entre o Governo do Estado e a Sociedade Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, responsável pela administração do Hospital de Sidrolândia.
Depois da primeira fase da operação, realizada em novembro de 2025, os investigadores aprofundaram a análise do material apreendido e, segundo o Ministério Público, encontraram elementos indicando que o mesmo método teria sido utilizado em outros convênios.
Mais de R$ 18 milhões
De acordo com o MPMS, os convênios sob investigação envolvem valores que ultrapassam R$ 18 milhões.
Além da compra de equipamentos e materiais hospitalares, a investigação alcançou recursos destinados à aquisição de uma UTI móvel e também à realização de obras de reforma do Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa.
O Ministério Público afirma que teriam sido elaborados planos de trabalho com informações fraudulentas, incluindo suspeitas de superfaturamento de bens e serviços e direcionamento de contratações para empresas previamente alinhadas ao núcleo investigado.
Dinheiro teria chegado a agentes políticos
Outro ponto de forte impacto revelado pelo MPMS é o caminho que parte do dinheiro teria percorrido.
Segundo a investigação, depois que os recursos públicos entravam nas contas da entidade hospitalar, parte dos valores teria sido desviada das finalidades estabelecidas nos convênios.O dinheiro seria então redistribuído através de sucessivas movimentações financeiras.
De acordo com o Ministério Público, as apurações apontam repasses diretos e indiretos a agentes políticos, articuladores, intermediários e pessoas utilizadas para movimentar os recursos.
MP também aponta tentativa de obstrução
A investigação ganhou ainda outro componente nesta segunda fase.
Segundo o MPMS, provas obtidas durante as apurações teriam revelado abuso do poder financeiro da organização investigada com a finalidade de impor práticas de obstrução às investigações em andamento.
O Ministério Público, até a divulgação da nota oficial, não apresentou no comunicado os nomes das pessoas contra as quais foram expedidos os três mandados de prisão preventiva.
A operação recebeu o nome de Dirty Pix — “Pix Sujo”, numa referência às transferências financeiras que, segundo os investigadores, teriam sido utilizadas para movimentar recursos do suposto esquema.
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Foto: Divulgação



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