TRANSPARÊNCIA

Durante prisão, presidente diz que fatos serão esclarecidos e indica que eventuais irregularidades são anteriores à sua gestão

Em entrevista, presidente do Hospital de Sidrolândia afirmou estar de “alma tranquila e lavada” e disse que eventuais irregularidades investigadas não teriam partido de sua administração

Durante o cumprimento de sua prisão nesta quarta-feira (7), na segunda fase da Operação Dirty Pix, o presidente do Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa afirmou em entrevista estar tranquilo diante das investigações.

Mesmo no momento em que era conduzido, ele declarou que acredita que os fatos serão esclarecidos e negou que eventuais irregularidades tenham partido de sua administração.

“Vocês podem ficar tranquilos que não devemos nada. Tudo vai ser esclarecido daqui a pouquinho. Graças a Deus, há uma limpa. A gente é do bem. Então, a gente está com a alma tranquila e lavada”, afirmou.

Na sequência, o presidente fez uma declaração que chama atenção:

“Se algumas coisas aconteceram, não foram da nossa parte. Tranquilo.”

Declaração sugere fatos anteriores ou atuação de terceiros

O presidente não citou nomes nem responsabilizou diretamente antigos gestores. No entanto, ao afirmar que, caso alguma coisa tenha acontecido, “não foi da nossa parte”, ele procurou afastar de sua administração a responsabilidade por eventuais irregularidades encontradas pela investigação.

A declaração pode fazer referência a fatos ocorridos anteriormente ou à atuação de terceiros, mas isso não foi especificado por ele durante a entrevista. Portanto, não é possível atribuir responsabilidade à ex-gestão com base apenas nessa fala.

Operação investiga mais de R$ 18 milhões

A declaração ocorreu durante a segunda fase da Operação Dirty Pix, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul nesta quarta-feira.

Segundo o MPMS, foram expedidos três mandados de prisão preventiva e 25 mandados de busca e apreensão, cumpridos em Sidrolândia, Campo Grande, Maracaju e Selvíria.

O aprofundamento das investigações passou a alcançar convênios destinados à compra de equipamentos e materiais hospitalares, aquisição de UTI móvel e realização de obras de reforma no Hospital de Sidrolândia. Os convênios investigados ultrapassam R$ 18 milhões.

O Ministério Público apura suspeitas de superfaturamento, direcionamento de contratações, desvio de recursos e movimentações financeiras que teriam alcançado agentes políticos, articuladores e intermediários.

“Alma tranquila e lavada”

Apesar da prisão preventiva, o presidente manteve um discurso de tranquilidade durante a abordagem e sustentou ao Four News que sua administração não teria participação nas possíveis irregularidades.

A prisão preventiva é uma medida cautelar e não representa condenação. As responsabilidades individuais ainda serão apuradas, e os investigados têm direito à defesa e ao contraditório.

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Foto: Reprodução

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