CORRUPÇÃO

“Vão prender meio mundo”: policial teria vazado operação do Gaeco, e ex-presidente de hospital comemorou possível prisão de adversários políticos

Investigação da Operação Dirty Pix aponta que servidora da Polícia Civil repassava informações sigilosas a Jacob Breure, então presidente do Hospital Dona Elmíria, em Sidrolândia. Conversas também revelam suspeitas de troca de informações por favores particulares.

A Dirty Pix, investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) revelou uma situação que chama a atenção nos bastidores da política e da segurança pública de Sidrolândia: uma investigadora da Polícia Civil é suspeita de ter antecipado informações sobre operações do Gaeco a Jacob Breure, então presidente do Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa.

O caso veio à tona durante a Operação Dirty Pix, que investiga suspeitas de desvios de recursos públicos destinados à saúde do município. Segundo a investigação, a policial civil Cristina Rosa Gomes de Carvalho teria repassado informações sigilosas sobre ações policiais que poderiam atingir pessoas consideradas adversárias políticas de Jacob.

“Vão prender meio mundo”

Uma das conversas identificadas pelos investigadores teria ocorrido em 2023. Na ocasião, Cristina teria avisado Jacob sobre uma operação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), indicando que diversas pessoas poderiam ser presas nos dias seguintes. A informação aparentemente agradou ao então presidente do hospital.

Conforme as mensagens divulgadas, Jacob respondeu: “Mais todos? Coisa boa”.

Para os investigadores, o diálogo levanta suspeitas de que informações restritas sobre operações policiais estavam chegando antecipadamente a pessoas de fora das equipes responsáveis pelas investigações. O episódio também chama a atenção pelo contexto político, já que os possíveis alvos seriam vistos como adversários de Jacob.

Cristina Rosa Gomes de Carvalho (Foto: Divulgação)

Policial também teria pedido favores particulares

As suspeitas não se limitam ao vazamento de informações. De acordo com os elementos reunidos pelo Ministério Público, Cristina também teria solicitado benefícios particulares a Jacob, incluindo pagamentos de aluguel, combustível e serviços de manutenção em veículos.

Essas situações passaram a ser analisadas pelos investigadores para verificar se existia alguma relação entre os favores solicitados e o suposto fornecimento de informações privilegiadas. Até o momento, as acusações representam suspeitas investigadas, não uma conclusão definitiva de culpa.

Reviravolta: os dois acabaram presos na Dirty Pix

O que mais chama a atenção nessa história é o desfecho. Anos depois das conversas investigadas, Cristina e Jacob acabaram presos no dia 7 de outubro de 2026, durante a segunda fase da Operação Dirty Pix.

A operação apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos ligados ao Hospital Dona Elmíria, envolvendo suspeitas de pagamentos irregulares, transferências bancárias e participação de agentes públicos e particulares.

As investigações apontam suspeitas de desvios milionários de dinheiro destinado à saúde de Sidrolândia.

De informados sobre operações a alvos da Justiça

O episódio revela uma reviravolta: pessoas que, segundo o Ministério Público, tinham acesso antecipado a informações sobre operações contra terceiros acabaram se tornando alvos de uma investigação criminal. O caso levanta questionamentos sobre a proteção de informações sigilosas dentro das instituições públicas e sobre possíveis relações entre agentes de segurança e pessoas com influência política no município.

A Operação Dirty Pix continua produzindo desdobramentos em Sidrolândia, com investigações que alcançam ex-dirigentes hospitalares, servidores públicos e agentes políticos.

É importante destacar que os fatos relatados fazem parte de investigações e que todos os citados têm direito à ampla defesa e à presunção de inocência.

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Foto: Divulgação/Reprodução

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