CORRUPÇÃO

Assessor de Lídio Lopes é preso com R$ 127 mil em espécie e suspeita de compra de votos em MS

José Antônio Pires de Souza, o Zé Bocão, levava material de campanha do deputado; segundo registro policial, ele ainda teria oferecido R$ 5 mil aos PMs para tentar evitar o flagrante

Um assessor parlamentar do deputado estadual Lídio Lopes (Avante) foi preso na noite desta quarta-feira (30), em Japorã, no sul de Mato Grosso do Sul, após policiais encontrarem R$ 127 mil em dinheiro vivo dentro do veículo que ele conduzia. O caso é investigado sob suspeita de crime eleitoral.

O homem foi identificado como José Antônio Pires de Souza, conhecido como Zé Bocão, ex-vereador de Mundo Novo e atualmente servidor da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

De acordo com informações publicadas pelo site O Jacaré, o dinheiro estava dividido em dez pacotes, com notas de R$ 50 e R$ 100. No veículo também foram encontrados materiais de propaganda eleitoral, incluindo santinhos, faixas e adesivos relacionados à campanha de Lídio Lopes.

O flagrante ocorreu por volta das 20h49, no Bar do Último Gole, em Japorã.

Segundo o boletim de ocorrência citado pela reportagem, durante a abordagem o motorista demonstrou nervosismo. Diante das circunstâncias, os policiais realizaram uma busca no veículo e localizaram o dinheiro e o material eleitoral.

Questionado sobre os valores, Zé Bocão teria informado que saiu de Campo Grande com destino a Mundo Novo e que trabalhava na campanha do deputado. Conforme o registro policial, porém, ele não teria conseguido esclarecer a origem dos R$ 127 mil.

PM relata tentativa de suborno

O caso ganhou um novo capítulo ainda durante a abordagem. Segundo a ocorrência, depois que o dinheiro foi encontrado, o assessor teria oferecido R$ 5 mil aos policiais militares para ser liberado.

A proposta foi recusada e a situação também deverá ser apurada como possível crime de corrupção.

Zé Bocão foi vereador de Mundo Novo por cinco mandatos. Atualmente, conforme a reportagem, ocupa cargo na Assembleia Legislativa com salário de R$ 2.983,49.

Dinheiro e material eleitoral

A presença simultânea de uma grande quantidade de dinheiro em espécie e de material de campanha levou à suspeita de possível utilização dos recursos para compra de votos.

A reportagem original afirma que os santinhos seriam distribuídos em municípios da região sul de Mato Grosso do Sul, entre eles Japorã, Mundo Novo, Eldorado e Iguatemi.

O caso ocorre a poucos dias das eleições de 2026 e deverá ser investigado pelas autoridades competentes para esclarecer a origem e a destinação do dinheiro apreendido.

Até o momento, a apreensão do dinheiro e dos materiais de campanha, por si só, não comprova eventual participação do deputado Lídio Lopes em crime eleitoral. Também caberá à investigação esclarecer se os R$ 127 mil tinham efetivamente finalidade eleitoral ilícita e quem seria responsável pelos recursos.

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Foto: Divulgação

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