POLICIAL

Quem deveria proteger é suspeito de violar: conselheiro tutelar é afastado após denúncia de gravar a própria filha

Profissional responsável pela defesa dos direitos de crianças e adolescentes é investigado por supostamente produzir vídeos íntimos da filha sem consentimento; Justiça determinou afastamento por 180 dias.

Um caso envolvendo um conselheiro tutelar de Mato Grosso do Sul está provocando indignação pela gravidade das acusações. Um homem que exerce justamente a função de proteger crianças e adolescentes foi afastado do cargo após ser denunciado por supostamente realizar gravações íntimas da própria filha, sem que ela tivesse conhecimento.

A denúncia partiu da própria jovem, que procurou a Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) depois de descobrir que estaria sendo filmada pelo pai em momentos de intimidade.

Segundo as informações apuradas, as gravações teriam sido realizadas enquanto a vítima dormia, sem qualquer autorização. Durante a investigação, fotografias e vídeos foram encontrados em posse do conselheiro tutelar, levantando suspeitas de violação da privacidade dentro do próprio ambiente familiar.

Diante da gravidade das denúncias, a Justiça determinou o afastamento do investigado de suas funções pelo período inicial de 180 dias.

A notificação judicial foi entregue na quarta-feira (21), na sede do Conselho Tutelar. No entanto, o cumprimento da determinação teria enfrentado resistência. O conselheiro inicialmente se recusou a receber e assinar o documento apresentado pelo oficial de justiça.

A situação só foi resolvida depois que o servidor responsável pela notificação informou sobre a possibilidade de solicitar apoio policial para garantir o cumprimento da ordem. Diante disso, o investigado acabou assinando o documento.

O episódio ganha contornos ainda mais preocupantes pelo cargo ocupado pelo suspeito. O Conselho Tutelar é um órgão encarregado de zelar pelos direitos de crianças e adolescentes, atuando justamente na prevenção e no enfrentamento de situações de violência, abuso e negligência.

A suspeita de que um integrante dessa estrutura possa ter cometido uma violação contra a própria filha levanta questionamentos sobre a confiança depositada em profissionais responsáveis pela proteção de pessoas vulneráveis.

Investigação segue em segredo de Justiça

A Polícia Civil continua investigando o caso para esclarecer as circunstâncias das gravações e apurar eventuais responsabilidades criminais. A identidade do conselheiro não será divulgada pelo Four News, como medida de proteção à vítima, que poderia ser identificada em razão do vínculo familiar com o investigado.

O processo tramita em segredo de Justiça, e detalhes sobre a idade da jovem e o conteúdo das imagens não foram divulgados. É importante destacar que o afastamento é uma medida cautelar e não representa condenação. A responsabilidade criminal do investigado dependerá da conclusão das investigações e das decisões judiciais.

O caso deixa uma reflexão preocupante: quando a suspeita de violação parte justamente de alguém encarregado de proteger os mais vulneráveis, a confiança na rede de proteção também acaba sendo colocada à prova.

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Foto: Divulgação

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