SAÚDE

Após escândalo da Dirty Pix, Hospital de Sidrolândia abre as portas e mostra onde foram investidos R$ 9,8 milhões

Com obras concluídas, novos equipamentos e ampliação dos atendimentos, direção do Hospital Dona Elmíria apresenta resultados da reforma e afirma que recursos foram fiscalizados pela Itaipu Binacional. Investigação do Ministério Público continua.

Em meio às investigações da Operação Dirty Pix, que colocaram o Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia, no centro de suspeitas de desvios milionários, a direção da unidade resolveu abrir as portas e mostrar o resultado dos investimentos realizados.

O hospital esta com uma estrutura modernizada, com novos equipamentos, ambientes reformados e ampliação dos serviços oferecidos à população. Ao todo, foram investidos R$ 9,8 milhões, sendo R$ 8,5 milhões provenientes da Itaipu Binacional e R$ 1,3 milhão da Prefeitura de Sidrolândia.

A reforma, concluída em dezembro de 2025, contemplou 961 metros quadrados de ampliação e mais de 2,2 mil metros quadrados de áreas reformadas.

Direção afirma que dinheiro foi aplicado nas obras

A diretora administrativa Amanda Bueno Basso explicou que os recursos da Itaipu foram liberados conforme o andamento das obras, mediante fiscalização mensal de um profissional enviado de Foz do Iguaçu. Segundo ela, a prestação de contas foi realizada e as melhorias estão disponíveis para qualquer pessoa que conheça a estrutura do hospital.

A diretora defende que a transformação da unidade demonstra a aplicação dos recursos na modernização do atendimento. Entretanto, a existência das obras não encerra as investigações do Ministério Público, que apura possíveis irregularidades nos valores contratados e na destinação de parte dos recursos.

Hospital passou a realizar mais cirurgias e partos

Entre os principais avanços apresentados pela administração estão o aumento dos procedimentos cirúrgicos e a ampliação dos serviços de maternidade. Em 2023, foram realizadas aproximadamente 500 cirurgias. Em junho de 2026, a unidade já havia ultrapassado mil procedimentos naquele ano.

Outro avanço destacado foi a possibilidade de realizar partos no próprio município, com disponibilidade de anestesista 24 horas e atendimento pediátrico. A mudança representa uma melhoria importante para as famílias que anteriormente precisavam buscar atendimento em outras cidades. Atualmente, o hospital realiza até 1.500 atendimentos mensais pelo SUS.

Estrutura moderna e novos equipamentos

Foram apresentados setores que passaram por reformas e receberam melhorias. Entre os investimentos estão a modernização do pronto-socorro, três salas cirúrgicas, laboratório de análises clínicas, enfermarias climatizadas e ampliação do setor de diagnóstico por imagem.

A unidade dispõe de tomografia, ressonância magnética, ultrassonografia, raio-x digital e mamografia. Outra mudança importante foi a instalação de uma rede canalizada de gases medicinais, que substituiu a necessidade de transportar cilindros de oxigênio pelos corredores.

O hospital também conta com estrutura física para dez leitos de UTI, mas ainda depende de pactuação para aquisição dos equipamentos e custeio do funcionamento.

Hospital afirma estar com as contas em dia

Apesar das investigações envolvendo a antiga presidência, a direção administrativa afirma que a instituição não possui dívidas atualmente. Segundo Amanda, pendências financeiras herdadas de períodos anteriores foram renegociadas e os salários dos funcionários estão sendo pagos regularmente.

A unidade possui 137 trabalhadores contratados pelo regime CLT e aproximadamente 40 médicos que prestam serviços como pessoas jurídicas.

E a Operação Dirty Pix?

A apresentação das melhorias acontece em um momento delicado para a instituição. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul investiga suspeitas de superfaturamento e desvio de recursos públicos destinados ao hospital, incluindo valores relacionados à reforma.

O ex-presidente da instituição, Jacob Meeuwis Breure, foi preso durante a segunda fase da Operação Dirty Pix, deflagrada em 7 de outubro, e posteriormente renunciou ao cargo. Segundo as investigações, o suposto esquema envolveria irregularidades em convênios, contratações e movimentações financeiras. Jacob nega irregularidades.

É importante destacar que a comprovação da execução das obras não significa, por si só, que todos os gastos foram regulares. A apuração do Ministério Público busca justamente esclarecer se houve superfaturamento ou desvio de parte dos recursos.

População reconhece melhorias

Durante a visita, moradores destacam a evolução da estrutura hospitalar. Pacientes elogiaram as instalações, a alimentação e o atendimento. Um comerciante que frequenta a unidade há décadas também ressaltou que exames antes realizados somente em Campo Grande passaram a estar disponíveis em Sidrolândia.

Entre as investigações e os resultados

Enquanto a Justiça e o Ministério Público seguem apurando possíveis responsabilidades pelos recursos públicos, o Hospital Dona Elmíria apresenta uma realidade de ampliação dos serviços e modernização da estrutura. A investigação deverá esclarecer se houve irregularidades financeiras, mas as melhorias físicas e assistenciais apresentadas pela unidade também fazem parte da realidade vivida pelos pacientes.

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Foto: Divulgação/Four News

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