POLÍTICA

Papy defende Campo Grande no discurso, mas é acusado de tentar barrar CPI dos Buracos

Presidente da Câmara, que recentemente afirmou no Café & Política ser um defensor da Capital, enfrenta questionamentos sobre reunião com vereadores que teria adiado investigação dos serviços de tapa-buracos da gestão Adriane Lopes.

O presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, Papy (PSDB), está no centro de uma nova polêmica política. Desta vez, o assunto é a tentativa de instalação da chamada CPI dos Buracos, que pretende investigar contratos, gastos públicos e possíveis irregularidades nos serviços de recuperação asfáltica da Capital.

Papy teria articulado uma reunião com vereadores para evitar que a investigação avançasse imediatamente, sugerindo que o assunto fosse tratado somente depois do segundo turno das eleições presidenciais. A alegação de manobra, no entanto, não foi comprovada de forma independente.

Do Café & Política à polêmica na Câmara

Recentemente, durante entrevista ao programa Café & Política, Papy afirmou ser um defensor de Campo Grande e abordou os problemas enfrentados pela população, incluindo buracos nas ruas, iluminação pública e dificuldades na saúde.

Na ocasião, também declarou que um eventual impeachment da prefeita Adriane Lopes (PP) poderia ser ainda mais prejudicial para a cidade. Agora, diante da discussão sobre a CPI, o posicionamento do presidente da Câmara volta a ser questionado.

A reportagem de O Jacaré sustenta que a movimentação política teria como objetivo evitar desgaste para a administração municipal. Já Papy participou da apresentação de um requerimento para convocar o secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos, André Moura Brandão, a prestar esclarecimentos aos vereadores.

Reunião a portas fechadas e CPI em discussão

Na quinta-feira (15), uma sessão da Câmara foi suspensa para que os parlamentares participassem de uma reunião reservada sobre a possível abertura da CPI. O pedido, apresentado pela vereadora Luiza Ribeiro (PT), busca investigar a aplicação dos recursos destinados à recuperação das ruas e os motivos pelos quais o problema persiste.

Há divergência entre as reportagens sobre o número de assinaturas formalizadas. Enquanto O Jacaré informou que o requerimento ainda tinha nove assinaturas, o Midiamax noticiou que dez vereadores já haviam aderido à proposta, número mínimo necessário para a instalação.

Secretário terá que dar explicações

Enquanto a instalação da CPI permanece em discussão, a Câmara aprovou a convocação do secretário André Moura Brandão para prestar esclarecimentos na próxima terça-feira (20). Segundo Papy, somente no primeiro semestre de 2026, os vereadores apresentaram mais de 9 mil indicações relacionadas aos serviços de tapa-buracos.

A convocação pretende esclarecer os problemas na execução dos serviços e as providências adotadas pela prefeitura.

A pergunta que fica

O episódio coloca novamente em debate o papel fiscalizador da Câmara Municipal e a relação entre o Legislativo e a administração Adriane Lopes. Se os próprios vereadores reconhecem a gravidade da situação das ruas, por que a abertura de uma investigação parlamentar ainda enfrenta dificuldades?

Para a população, a questão vai além da disputa política: envolve a qualidade dos serviços, a segurança de motoristas e motociclistas e a transparência na aplicação do dinheiro público.

O Four News ressalta que a acusação de tentativa de barrar a CPI é atribuída à reportagem de O Jacaré e que não foi apresentada, nas informações consultadas, uma resposta específica de Papy a essa acusação.

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Foto: Four News

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