TRANSPARÊNCIA

GAECO revela suspeita de cartel milionário em licitações e faz buscas em empresa e casa de ex-secretário de Sidrolândia

Operação Trama Oculta investiga 15 licitações suspeitas, envolvendo cerca de R$ 3 milhões; empresários teriam combinado preços para simular concorrência e superfaturar contratos públicos.

A presença do Gaeco em Sidrolândia na manhã desta quarta-feira (28) ganhou novos desdobramentos após a confirmação de uma investigação sobre um suposto esquema milionário de fraudes em licitações públicas. Batizada de Operação Trama Oculta, a ação mira empresários suspeitos de integrar um cartel que teria manipulado preços e simulado concorrência em contratos de fornecimento de produtos do setor de confecções.

Em Sidrolândia, equipes do Batalhão de Choque estiveram na empresa Priscilla Malhas, pertencente à empresária Priscilla Depiné, e na residência de seu marido, Welbet José Biaggi de Amorim, ex-secretário municipal de Administração e atual secretário especial da Prefeitura de Sidrolândia.

Welbet deixou a Secretaria Municipal de Administração em fevereiro deste ano, durante uma reformulação promovida pelo prefeito Rodrigo Basso (PL), mas permaneceu na estrutura da administração municipal.

A operação também atingiu estabelecimentos e residências em Campo Grande. Na Capital, policiais realizaram diligências na Galeria dos Esportes, localizada na região central, e na casa do proprietário do estabelecimento.

Ao todo, o Gaeco cumpriu 28 mandados de busca e apreensão e 14 mandados de medidas cautelares diversas da prisão, distribuídos pelos municípios de Anastácio, Caarapó, Campo Grande, Dourados, Mundo Novo, Jardim e Sidrolândia.

As investigações apontam que empresários do ramo de confecções teriam organizado uma espécie de cartel para manipular processos licitatórios. Na prática, os participantes supostamente combinavam antecipadamente os valores das propostas apresentadas nas disputas públicas, criando uma falsa aparência de concorrência entre empresas.

Com os preços previamente ajustados, os contratos poderiam ser fechados por valores artificialmente elevados, causando prejuízos aos cofres públicos. Em determinadas situações, o grupo também teria contado com a participação de servidores públicos para facilitar as irregularidades e favorecer o superfaturamento.

Até o momento, os investigadores identificaram indícios de fraudes em 15 licitações, cujos contratos alcançam aproximadamente R$ 3 milhões.

Outro detalhe que chama a atenção é a origem da investigação. A Operação Trama Oculta nasceu a partir da análise de informações encontradas em um aparelho celular apreendido durante a Operação Malebolge, realizada anteriormente.

O conteúdo extraído do telefone revelou indícios de um esquema paralelo envolvendo empresários do setor de confecções, levando os investigadores a aprofundar as apurações sobre possíveis combinações de preços e direcionamento de licitações. O nome Trama Oculta faz referência tanto ao ramo de atividade das empresas investigadas quanto aos supostos acordos realizados nos bastidores das concorrências públicas.

A nova operação acontece apenas 21 dias depois da segunda fase da Operação Dirty Pix, que provocou uma crise política em Sidrolândia ao atingir integrantes da administração municipal, vereadores e pessoas ligadas ao Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa.

Apesar da proximidade entre as duas ações, não há confirmação de ligação entre a Operação Trama Oculta e a Dirty Pix, já que as investigações tratam de suspeitas distintas.

Uma informação obtida pelo Four News junto a uma fonte de confiança aponta a possibilidade de que parte das irregularidades investigadas esteja relacionada a contratos antigos da Prefeitura de Corumbá. Entretanto, essa informação ainda não foi confirmada oficialmente, e o município não aparece na relação de cidades onde foram cumpridos mandados nesta quarta-feira.

O Ministério Público também não detalhou quais prefeituras realizaram as licitações suspeitas, em quais períodos os contratos foram firmados ou quais empresas participaram de cada procedimento.

Até o momento, não há confirmação de prisões na Operação Trama Oculta. As medidas judiciais anunciadas incluem buscas, apreensões e outras medidas cautelares. A realização das diligências não representa comprovação de culpa das pessoas ou empresas envolvidas.

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Foto: Divulgação

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