Quebra de sigilo bancário identificou duas transferências de R$ 20 mil para ex-assessor da Casa Civil. Ministério Público suspeita que dinheiro tenha origem em esquema de propina envolvendo recursos do Hospital de Sidrolândia.

Mais um nome ligado à política de Mato Grosso do Sul aparece nos desdobramentos da Operação Dirty Pix, que investiga suspeitas de desvio de recursos públicos do Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia.
Desta vez, o investigado é Nivaldo Thiago Filho de Souza, genro da deputada federal eleita Mara Caseiro (PL) e atual chefe de gabinete do conselheiro Sérgio de Paula, no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS).
O Ministério Público Estadual identificou duas transferências de R$ 20 mil, totalizando R$ 40 mil, realizadas em 25 de novembro de 2022, período em que Nivaldo estava fora da estrutura do Governo do Estado.
Os investigadores suspeitam que os pagamentos estejam relacionados ao esquema de distribuição de propina investigado na Operação Dirty Pix.
R$ 40 mil na conta e nenhum cargo público na época
Um dos detalhes que chamaram a atenção foi o momento em que as transferências aconteceram. Nivaldo havia deixado o cargo de assessor da Casa Civil em junho de 2022, quando recebia salário de R$ 17.477,32, conforme dados do Portal da Transparência.
Mesmo sem ocupar cargo público naquele momento, Nivaldo recebeu, segundo os investigadores, duas transferências feitas por Adriele Nogueira Trelha e Júlio César Alves da Silva, apontados como operadores financeiros ligados ao esquema investigado.
Para o Ministério Público, há indícios de que os valores representem vantagem patrimonial relacionada à atuação de Nivaldo na estrutura estadual, embora ele não ocupasse o cargo na data dos depósitos.
Dinheiro teria origem em esquema envolvendo hospital
A investigação aponta que o grupo suspeito de atuar no Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa teria utilizado intermediários para distribuir recursos desviados de convênios públicos. Uma das operações analisadas envolve a aquisição de um aparelho de ressonância magnética.
Segundo o Ministério Público, foram repassados aproximadamente R$ 5,078 milhões para a compra do equipamento, que teria custado R$ 3,2 milhões. A diferença, de cerca de R$ 1,8 milhão, é investigada como possível desvio.
Os promotores suspeitam que parte dos recursos tenha sido distribuída a agentes públicos, políticos e intermediários para favorecer interesses do grupo investigado. A Operação Dirty Pix, deflagrada em sua segunda fase no dia 7 de outubro, apura suspeitas de desvios que chegam a R$ 18 milhões.
Justiça determina bloqueio de R$ 40 mil
Diante dos elementos apresentados pelo Ministério Público, a Justiça determinou o sequestro de até R$ 40 mil em bens e valores vinculados a Nivaldo Thiago. A decisão também autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do investigado.
O objetivo é aprofundar o rastreamento das movimentações financeiras e esclarecer a origem e a finalidade dos pagamentos.
A medida é cautelar e não representa condenação.
Dirty Pix continua revelando movimentações financeiras
Desde o início da segunda fase da operação, a investigação vem identificando transferências suspeitas envolvendo pessoas ligadas ao hospital, agentes políticos, ex-assessores e integrantes da administração pública. Em Sidrolândia, três vereadores foram afastados cautelarmente por 180 dias (Adavilton Brandão,Cledinaldo Cotócio e Izaqueu Diniz) , além de outros agentes públicos atingidos por decisões judiciais.
Agora, com a identificação dos R$ 40 mil recebidos por Nivaldo, as investigações também evidenciam possíveis conexões financeiras com pessoas que passaram pela estrutura.
A principal questão a ser esclarecida é por qual motivo o ex-assessor recebeu os pagamentos e se houve alguma contrapartida relacionada aos recursos destinados ao hospital. Até a publicação das informações consultadas, não foi identificada manifestação específica da defesa de Nivaldo sobre as duas transferências. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.
Todos os citados têm direito à ampla defesa e à presunção de inocência.
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Foto: Divulgação



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