Cynthia Karoline Tápias, que atuou em Sidrolândia e na Delegacia da Mulher de Campo Grande, virou alvo da Operação Dirty Pix. Investigadores apuram se ela recebia vantagens indevidas do presidente do Hospital Dona Elmíria em troca de informações privilegiadas.

A segunda fase da Operação Dirty Pix, deflagrada nesta quarta-feira (7), trouxe um novo e surpreendente nome para o centro das investigações sobre o suposto esquema de desvio de R$ 18 milhões do Hospital Municipal Dona Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia: o da delegada da Polícia Civil Cynthia Karoline Bezerra Gome Tapias, atualmente em atuação no Espírito Santo.
A delegada é investigada por suspeita de receber vantagens indevidas para repassar informações sigilosas ao presidente do hospital, Jacob Breure, preso durante a operação.
A suspeita é grave: uma autoridade policial, cuja função é investigar crimes e proteger informações confidenciais, teria utilizado sua posição para favorecer um dos investigados em um esquema milionário envolvendo recursos da saúde pública.
Mandado foi cumprido na residência da delegada em Vitória
A investigação é conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (GECOC) e pela 3ª Promotoria de Justiça de Sidrolândia.
De acordo com a reportagem, agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Espírito Santo cumpriram um mandado de busca e apreensão na residência da delegada, em Vitória.
Inicialmente, o Ministério Público havia informado que os 25 mandados de busca e apreensão da operação foram cumpridos em Sidrolândia, Campo Grande, Maracaju e Selvíria. Entretanto, a reportagem de O Jacaré revelou que a investigação também alcançou a capital capixaba.
A diligência amplia o alcance da operação e levanta questionamentos sobre a possível participação de agentes públicos que não estavam diretamente ligados à administração hospitalar.
Delegada começou a carreira em MS por Sidrolândia
Cynthia tomou posse como delegada da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul em julho de 2022 e iniciou sua atuação em Sidrolândia.
Posteriormente, foi transferida para Campo Grande. Em março de 2025, após o assassinato da jornalista Vanessa Ricarte, esteve entre as delegadas que assumiram funções na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM).
Natural de Vitória, Cynthia já havia trabalhado durante aproximadamente dez anos na Polícia Civil do Espírito Santo antes de ingressar na carreira de delegada em Mato Grosso do Sul. Em outubro de 2025, foi transferida para o Espírito Santo, onde passou a atuar como assessora do delegado-geral da Polícia Civil capixaba.
Trabalhando no Espírito Santo, mas recebendo salário de MS
Outro ponto que chama a atenção é a situação funcional da delegada. Conforme a publicação, Cynthia permanece vinculada à folha de pagamento do Governo de Mato Grosso do Sul, com remuneração informada de aproximadamente R$ 23,9 mil mensais, apesar de exercer suas atividades no Espírito Santo.
A reportagem aponta que a movimentação funcional consta em publicação do Diário Oficial de 25 de outubro de 2025.
O portal O Jacaré procurou a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul para esclarecer as circunstâncias da transferência, mas não havia recebido resposta até a publicação da reportagem. O vínculo remuneratório, por si só, não comprova irregularidade, mas a situação administrativa ainda depende de esclarecimentos oficiais.
Investigação sobre R$ 18 milhões ganha novos desdobramentos
A Operação Dirty Pix investiga um suposto esquema de desvio de recursos do Hospital Municipal Dona Elmíria Silvério Barbosa, envolvendo suspeitas de corrupção e irregularidades na gestão da unidade de saúde. A nova fase da investigação, realizada em 7 de outubro, resultou em prisões, buscas e medidas judiciais contra pessoas suspeitas de participação no esquema.
A inclusão de uma delegada entre os alvos abre uma nova frente de apuração: a possibilidade de que informações protegidas por sigilo tenham sido utilizadas para beneficiar integrantes do grupo investigado.
Até o momento, a condição de investigada não significa que Cynthia tenha sido condenada ou que as suspeitas estejam comprovadas. A reportagem consultada não informa que tenha sido decretada sua prisão. O espaço permanece aberto para manifestação da delegada e de sua defesa.
O caso segue sob investigação do Ministério Público.
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Foto: Reprodução / TV Planalto
Fonte: O Jacaré



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