CORRUPÇÃO

Corrupção até no cascalho: MP aponta propina em contrato para melhorar estradas de assentamentos de Sidrolândia

Contrato para colocação de cascalho e melhorias nas estradas dos assentamentos Capão Bonito e Laguna é alvo de denúncia; à época dos fatos, Claudinho Serra era secretário de Fazenda e genro da então prefeita Vanda Camilo

Um contrato que deveria levar cascalho e melhores condições de tráfego para moradores e produtores rurais dos assentamentos Capão Bonito e Laguna, em Sidrolândia, tornou-se alvo de denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul no âmbito da Operação Tromper.

Entre os denunciados está Claudinho Serra, que, na época dos fatos investigados, ocupava o cargo de secretário municipal de Fazenda de Sidrolândia e era genro da então prefeita Vanda Camilo, chefe do Executivo municipal naquele período.

Segundo o Ministério Público, o contrato nº 136/2022, destinado à colocação de cascalho e melhorias nas estradas rurais dos dois assentamentos, teria sido utilizado em um esquema envolvendo direcionamento de licitação, superfaturamento e desvio de recursos públicos.

As investigações da Operação Tromper apontam Claudinho Serra como uma das figuras centrais do suposto esquema. A denúncia também envolve empresários e outras pessoas que, segundo a acusação, teriam participado das irregularidades.

Contrato recebeu aditivo de cerca de R$ 700 mil

De acordo com o MP, uma das formas utilizadas para elevar os valores pagos teria ocorrido por meio de aditivos contratuais.

No contrato investigado, houve acréscimo de aproximadamente R$ 700 mil, correspondente a cerca de 25% do valor contratado.

Outro ponto levantado pelos investigadores envolve a distância considerada para o transporte do material utilizado nas obras.

Segundo a acusação, perícia apontou que a distância teria passado de 1 quilômetro para 10 quilômetros, sem justificativa técnica, aumentando o custo dos serviços pagos pelo município.

Segundo o MP, a expressão “solta o combustível”, atribuída a Claudinho Serra, seria utilizada como código para cobrar o pagamento de propina. (Reprodução)

“Solta o combustível”

A denúncia apresenta ainda conversas telefônicas e mensagens de WhatsApp obtidas durante as investigações.

Segundo o Ministério Público, integrantes do suposto esquema utilizavam expressões em código para tratar da liberação de vantagens indevidas.

Uma delas seria “solta o combustível”, que, de acordo com a interpretação dos investigadores, estaria relacionada ao pagamento de propina. A investigação sustenta que, após emissão de notas fiscais e liberação de pagamentos pela Prefeitura, valores em dinheiro teriam sido repassados por meio de intermediários.

MP cobra mais de R$ 714 mil

Diante das irregularidades apontadas, o Ministério Público pede a devolução de R$ 714.820,30, além de outras medidas contra os envolvidos e empresas citadas na denúncia.

O episódio ganha repercussão em Sidrolândia também pelo contexto político da época: Claudinho Serra comandava a Secretaria Municipal de Fazenda e era genro da então prefeita Vanda Camilo, cuja administração era responsável pela Prefeitura quando ocorreram os fatos agora questionados pelo Ministério Público.

A defesa de Claudinho Serra informou ao Midiamax que a nova denúncia trata de fatos que já seriam objeto de outra ação penal.

Os denunciados terão direito à defesa, e as acusações apresentadas pelo Ministério Público ainda serão analisadas pela Justiça.

O que chama atenção no caso é justamente a finalidade do dinheiro público investigado: melhorar estradas rurais e levar cascalho aos assentamentos Capão Bonito e Laguna, regiões onde moradores e produtores dependem das vias para deslocamento e escoamento da produção.

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Foto: Divulgação

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