CORRUPÇÃO

“Em nome de Jesus” e “deixa todo mundo morrer”: Justiça nega liberdade a investigado da Operação Gutenberg

Decisão reforça gravidade das investigações; mensagens atribuídas aos investigados mostram pedidos de propina, uso da fé para pressionar negociações e ameaças de suspender cirurgias e exames caso contratos não fossem fechados.

A Justiça de Mato Grosso do Sul negou os pedidos de liberdade apresentados por investigados apontados como peças centrais da Operação Gutenberg, mantendo a prisão preventiva dos principais alvos do esquema que apura o desvio de aproximadamente R$ 27 milhões por meio de contratos públicos para fornecimento de livros a prefeituras. A decisão representa mais um capítulo de uma das maiores investigações de corrupção já conduzidas pelo Gaeco no Estado.

A manutenção das prisões ocorre um dia após a divulgação de detalhes das investigações que revelam conversas consideradas estarrecedoras pelo Ministério Público. De acordo com os autos, um dos investigados chegou a invocar o nome de Jesus durante negociações para obtenção de vantagens indevidas, enquanto, em outras mensagens, aparecem ameaças de interromper cirurgias, exames e internações caso determinados municípios não fechassem contratos com a organização investigada.

Segundo o Gaeco, as mensagens indicam que a estrutura da regulação da saúde pública teria sido utilizada como instrumento de pressão sobre prefeitos. Em trechos das conversas, os investigados afirmam frases como “só opera se fechar” e “senão vai morrer todo mundo”, além de sugerirem a suspensão de leitos e cirurgias para pressionar gestores municipais durante as negociações comerciais.

As investigações apontam ainda que o esquema não se limitava à comercialização de livros. Para o Ministério Público, a organização utilizava cargos públicos, influência política e a oferta de facilidades na área da saúde para garantir contratos milionários, movimentando recursos públicos em diversas cidades sul-mato-grossenses.

Ao negar a liberdade dos principais investigados, a Justiça entendeu que permanecem presentes os requisitos para a prisão preventiva, como a gravidade dos fatos apurados, a necessidade de preservar a instrução criminal e evitar riscos ao andamento das investigações. Enquanto alguns investigados obtiveram medidas menos gravosas em situações específicas, os apontados como protagonistas do esquema seguem presos por decisão judicial.

A Operação Gutenberg continua em andamento, e o Ministério Público ainda apura a participação de outros agentes públicos e privados, além da eventual responsabilização de todos os envolvidos no suposto esquema de corrupção.

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Foto: Divulgação

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