Investigação da Operação Dirty Pix revela mensagens com códigos sobre dinheiro, notas fiscais suspeitas e pagamentos em espécie. Serginho, que trabalhou para o deputado federal Dagoberto Nogueira, está entre os investigados pelo Ministério Público.

A Operação Dirty Pix, que investiga um suposto esquema de desvio de R$ 18 milhões do Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia, trouxe à tona mais um personagem da investigação: Sérgio Roberto Castilho Vieira, conhecido como Serginho, ex-assessor parlamentar do deputado federal Dagoberto Nogueira (PP).
Segundo o Ministério Público Estadual (MPE), Serginho teria sido beneficiário de um repasse de R$ 290 mil em suposta propina, após a liberação de recursos destinados à reforma do hospital.
O que chama a atenção são as conversas identificadas pelos investigadores. Em vez de cobranças diretas, os envolvidos teriam utilizado expressões aparentemente inocentes, como “previsão de 8 graus” e “estou com sede”, que, na interpretação dos promotores, seriam códigos relacionados à chegada do dinheiro e à cobrança de pagamentos.
Dinheiro para reformar hospital teria despertado cobrança de propina
O esquema investigado envolve um convênio de R$ 8,5 milhões firmado com a Itaipu Binacional para obras de reforma da unidade hospitalar. Conforme a investigação, após a liberação da primeira parcela, no valor de R$ 1,714 milhão, Serginho teria passado a cobrar pagamentos do então presidente do hospital, Jacob Meeuwis Breure.
Os investigadores apontam que foi acertado um repasse de R$ 290 mil ao ex-assessor parlamentar.

Notas fiscais teriam sido usadas para esconder pagamentos
De acordo com o Ministério Público, a suposta propina teria sido disfarçada por meio de duas notas fiscais. A primeira, de R$ 210 mil, estaria relacionada a um suposto projeto arquitetônico do hospital. A segunda, de R$ 80 mil, teria sido emitida por uma empresa ligada a Jacob.
Para os investigadores, as operações apresentam indícios de que os documentos teriam sido utilizados para dar aparência de legalidade à movimentação dos recursos. Além disso, o MPE identificou indícios de pagamentos em dinheiro vivo nos meses de novembro e dezembro de 2024. Os valores dessas movimentações, porém, ainda não foram determinados.
Diante das suspeitas, o Ministério Público solicitou à Justiça a quebra do sigilo bancário dos investigados.
Ligação com deputado federal também chama atenção
Serginho não é um nome desconhecido nos bastidores políticos de Mato Grosso do Sul. Conforme registros da Câmara dos Deputados, ele trabalhou como assessor parlamentar de Dagoberto Nogueira entre 2016 e 2021.
Outro detalhe identificado é que, nas eleições de 2026, Serginho realizou uma doação de R$ 25 mil à campanha de reeleição do deputado federal. A doação eleitoral, por si só, não representa irregularidade e não comprova qualquer participação do parlamentar no esquema investigado.
Operação Dirty Pix amplia investigação sobre recursos da saúde
A investigação sobre o Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa vem provocando repercussão política em Sidrolândia, principalmente após o avanço das apurações envolvendo pessoas ligadas à administração hospitalar e à política municipal.
O novo capítulo levanta suspeitas sobre a destinação de recursos que deveriam financiar melhorias na estrutura de atendimento à população. O ponto central da investigação é esclarecer se parte do dinheiro destinado à reforma do hospital acabou desviada para beneficiar particulares.
O espaço permanece aberto para esclarecimentos.
Importante: os fatos relatados são suspeitas investigadas pelo Ministério Público. A participação dos citados no suposto esquema ainda depende de apuração e eventual decisão judicial, sendo preservada a presunção de inocência.
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Foto: Divulgação



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