TRANSPARÊNCIA

Itaipu repassou R$ 8,5 milhões para hospital de Sidrolândia e diz não ter encontrado desvios; MP investiga suspeita de fraude

Mesmo com a reforma concluída e os recursos liberados, prestação de contas ainda não foi encerrada. Enquanto o Ministério Público investiga suspeitas de superfaturamento, Itaipu afirma que suas fiscalizações não identificaram irregularidades financeiras.

A reforma do Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia, voltou ao centro das atenções após a Itaipu Binacional informar que ainda não concluiu a análise da prestação de contas dos R$ 8,5 milhões destinados à unidade hospitalar. A informação surge em meio às investigações da Operação Dirty Pix, conduzida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que apura suspeitas de superfaturamento, desvio de recursos e possíveis pagamentos irregulares relacionados à obra.

Apesar das suspeitas investigadas, a Itaipu apresentou uma informação importante: até o momento, suas verificações não identificaram indícios de superfaturamento, pagamentos irregulares ou desvio de dinheiro. A manifestação foi apresentada na terça-feira (20) e revela que, embora a documentação financeira tenha sido regularizada, ainda existem pendências relacionadas aos projetos que deveriam ser apresentados pela entidade responsável pelo hospital.

O convênio para a reforma foi firmado após uma solicitação apresentada pelo hospital em setembro de 2023. O acordo estabeleceu o repasse de R$ 8.583.628,30 pela Itaipu Binacional, além de uma contrapartida de R$ 52.358,40 da própria entidade hospitalar. Os recursos foram integralmente liberados e a reforma foi concluída. Entretanto, a análise da prestação de contas permanece aberta.

Lucas Marques Nunes era responsável e destinada à obtenção e execução dos recursos da reforma do hospital (Foto:Reprodução)

A Itaipu informou que realizou vistorias presenciais, acompanhou relatórios técnicos e analisou medições dos serviços executados. Segundo a instituição, a liberação dos valores acompanhou o cronograma da obra, respeitando os procedimentos previstos no convênio. A Binacional também esclareceu que a contratação das empresas, a administração dos contratos e a fiscalização direta da execução dos serviços eram responsabilidades do próprio hospital.

Enquanto a Itaipu afirma não ter identificado irregularidades financeiras em suas verificações, o Ministério Público trabalha com uma linha de investigação que busca esclarecer como um orçamento inicialmente estimado em aproximadamente R$ 1,13 milhão passou por alterações até alcançar cerca de R$ 8,5 milhões. A suspeita é de que determinados custos tenham sido artificialmente elevados para permitir a destinação irregular de parte dos recursos.

Mensagens obtidas durante as investigações apontariam discussões envolvendo valores da reforma e possíveis pagamentos a intermediários. Entre os investigados está o ex-presidente do hospital, Jacob Meeuwis Breure, preso preventivamente desde 7 de outubro. As apurações também envolvem o empresário Hélio Carrilho Modesto Junior, o engenheiro Lucas Marques Nunes e o ex-assessor parlamentar Sérgio Roberto Castilho Vieira. As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam comprovação definitiva de culpa dos envolvidos.

Hélio Carrilho Modesto Junior é
particularmente importante no contexto investigado, pois o próprio Jacob o apresenta
como agente dotado de elevado trânsito (Foto:Reprodução)

Outro ponto que chama atenção é a participação de intermediários nas tratativas para obtenção dos recursos. A Itaipu confirmou que Jacob Breure e o empresário Hélio Carrilho Modesto Junior participaram das negociações técnicas para formalização do convênio. Entretanto, a instituição afirmou desconhecer qualquer acordo para pagamento de comissões pela intermediação dos recursos, ressaltando que esse tipo de remuneração é expressamente proibido pelas regras do convênio e por suas normas internas.

A manifestação da Itaipu acrescenta um novo elemento ao debate sobre a reforma do Hospital Dona Elmíria. De um lado, o Ministério Público investiga suspeitas de irregularidades na elaboração dos orçamentos, nas contratações e na destinação dos recursos. De outro, a instituição responsável pelo financiamento informa que, nas verificações realizadas até agora, não encontrou evidências de desvios ou superfaturamento.

Ex-assessor parlamentar Sérgio Roberto Castilho Vieira (Foto:Divulgação)

As duas avaliações, entretanto, não são necessariamente contraditórias, já que envolvem procedimentos de fiscalização e investigação com alcances diferentes. A ausência de irregularidades identificadas pela Itaipu não significa o encerramento das investigações conduzidas pelo Ministério Público.

Mesmo após a conclusão da reforma, ainda não existe uma data definida para o encerramento da análise da prestação de contas. A Itaipu também não detalhou quais projetos precisam ser apresentados pelo hospital para solucionar as pendências existentes.

O caso segue despertando atenção em Sidrolândia, especialmente diante da importância do Hospital Dona Elmíria para o atendimento da população.

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Foto: Divulgação

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