POLÍTICA

Flávio Bolsonaro vence o 1º turno e vai enfrentar Lula em duelo decisivo pela Presidência

Candidato do PL terminou a primeira etapa à frente do petista após uma disputa apertada; segundo turno será realizado em 25 de outubro e pesquisas anteriores já apontavam cenário de empate entre os dois.

A eleição presidencial de 2026 terá mais um capítulo. Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vão disputar o segundo turno pela Presidência da República, depois de um primeiro turno marcado por forte polarização e uma diferença relativamente pequena entre os dois primeiros colocados.

Na atualização da apuração mostrada pelo Four News, Flávio aparecia com 47,28% dos votos válidos, somando 55.590.395 votos, enquanto Lula registrava 44,87%, com 52.754.446 votos. A diferença naquele momento era de aproximadamente 2,84 milhões de votos, ou 2,41 pontos percentuais.

Como nenhum candidato alcançou mais da metade dos votos válidos, a decisão ficou para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Flávio chegou a sonhar com vitória no primeiro turno

Durante boa parte da apuração, Flávio Bolsonaro chegou a aparecer muito próximo dos 50%. Com 90,44% das urnas contabilizadas, por exemplo, registrava 48,03%, enquanto Lula tinha 43,99%.

O desempenho confirmou uma força eleitoral que não aparecia com a mesma intensidade nas pesquisas divulgadas na reta final da campanha. Antes da votação, levantamentos de Datafolha e Quaest mostravam Lula numericamente à frente, embora dentro de cenários apertados.

Flávio, inclusive, havia declarado após votar no Rio de Janeiro que suas pesquisas internas indicavam possibilidade de vitória já no primeiro turno. O resultado, porém, empurrou a decisão para uma nova votação.

Flávio amplia mapa conquistado pelo bolsonarismo

Outro ponto que chama atenção é a distribuição geográfica dos votos. Durante a apuração, Flávio Bolsonaro chegou a liderar em 15 estados e no Distrito Federal, ampliando o território em que o bolsonarismo havia sido majoritário no primeiro turno de 2022.

Segundo levantamento do Terra, o candidato ganhou força especialmente em estados como Amazonas, Tocantins e Minas Gerais, regiões nas quais Lula havia obtido maioria quatro anos antes. Em 2022, Jair Bolsonaro havia vencido em 12 estados, além do Distrito Federal, no primeiro turno.

O resultado reforça a divisão eleitoral do País, com Lula mantendo grande força sobretudo no Nordeste, enquanto Flávio concentra vantagem em boa parte do Sul, Centro-Oeste e outras regiões.

Augusto Cury e demais candidatos viram peças importantes

Com a disputa novamente concentrada em dois nomes, começa agora outra eleição: a busca pelos milhões de brasileiros que escolheram os demais candidatos no primeiro turno.

Na parcial apresentada pelo Four News, o escritor Augusto Cury (Avante) ocupava a terceira colocação, com 2,90% e 3.412.290 votos.

Esses eleitores, assim como os que escolheram outros candidatos, votaram branco, anularam ou não compareceram, passam a ser estratégicos para PL e PT. Os apoios anunciados pelas candidaturas derrotadas também deverão ganhar peso nas próximas semanas.

Pesquisas já previam segundo turno dramático

Se o primeiro turno terminou apertado, os levantamentos realizados antes da votação indicam que o segundo poderá ser ainda mais disputado.

A Quaest, em pesquisa realizada entre 24 e 27 de setembro, apontava empate exato: 42% para Flávio e 42% para Lula. Outros 13% declaravam branco, nulo ou que não votariam e 3% estavam indecisos. A margem de erro era de dois pontos percentuais.

O Real Time Big Data também apontava empate técnico, mas com Flávio numericamente à frente: 45% contra 44% de Lula, igualmente com margem de erro de dois pontos.

Já o levantamento Atlas/Bloomberg, divulgado em 23 de setembro, colocava Lula com 47,7% contra 47,4% de Flávio em uma simulação de segundo turno — diferença de apenas três décimos.

Ou seja: os principais levantamentos apresentavam cenários diferentes na liderança numérica, mas convergiam em um ponto: uma disputa extremamente equilibrada.

Uma curiosidade histórica favorece quem venceu o primeiro turno

Há ainda um dado histórico importante para Flávio Bolsonaro. Desde a redemocratização, o candidato que terminou o primeiro turno presidencial na liderança nunca sofreu uma virada no segundo turno.

Isso não significa, evidentemente, que o resultado de 25 de outubro esteja definido. Cada segundo turno é uma nova votação e, desta vez, a diferença entre os adversários é pequena.

Agora começa outra campanha

A partir de agora, Lula e Flávio terão três semanas para reorganizar alianças, conquistar os eleitores dos candidatos eliminados e tentar convencer principalmente quem ainda demonstra resistência aos dois principais grupos políticos do País.

A campanha de segundo turno também deverá aumentar a pressão por debates frente a frente. A primeira etapa terminou sem que Lula e Flávio tivessem se enfrentado diretamente em um debate, segundo o Terra.

De um lado, Lula tenta conquistar mais um mandato e manter o PT no Palácio do Planalto. Do outro, Flávio busca levar novamente a família Bolsonaro à Presidência, agora como protagonista da candidatura.

O primeiro turno mostrou um Brasil dividido. Em 25 de outubro, essa divisão será colocada novamente diante das urnas — e, desta vez, haverá apenas duas opções.

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Foto: Divulgação

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