Entre os 24 escolhidos nas urnas estão políticos presos em operações da PF e do Gaeco; Jamilson Name aparece sub judice e aguarda definição da Justiça Eleitoral

As urnas definiram neste domingo (4) os 24 deputados estaduais que vão ocupar a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) entre 2027 e 2030. O resultado, além de mostrar pouca renovação, traz de volta ao Legislativo nomes conhecidos também por episódios policiais e judiciais que marcaram a política sul-mato-grossense nos últimos anos.
Entre os eleitos estão quatro políticos que já foram presos em operações ou investigações: Zé Teixeira, Gerson Claro, Jerson Domingos e André Puccinelli.
Há ainda a situação de Jamilson Name, que aparece no resultado da eleição como sub judice, ou seja, a validade definitiva de sua candidatura e dos votos depende do desfecho de recurso na Justiça Eleitoral.
Importante destacar que prisão durante investigação não significa condenação. Os casos têm situações processuais diferentes, incluindo absolvições, pedidos de absolvição, recursos e questionamentos judiciais.
Zé Teixeira foi preso na Operação Vostok
O deputado Zé Teixeira (PL), que terminou a eleição de 2026 como o candidato a deputado estadual mais votado de Mato Grosso do Sul, com 53.709 votos, foi preso pela Polícia Federal em setembro de 2018 durante a Operação Vostok.
A operação investigava um suposto esquema de pagamento de propina envolvendo autoridades dos poderes Executivo e Legislativo e integrantes do Tribunal de Contas.
Na época, a investigação apontava suspeita de que Teixeira teria emitido notas fiscais para dar aparência de legalidade a R$ 1,6 milhão que, segundo delatores da J&F, seriam referentes a pagamentos de propina.
A prisão ocorreu durante o cumprimento de mandados expedidos no âmbito da operação.
Gerson Claro foi preso na Operação Antivírus
Outro eleito que já passou pela prisão é o atual presidente da Assembleia Legislativa, Gerson Claro (PP).
Em agosto de 2017, quando comandava o Detran-MS, Gerson foi preso preventivamente pelo Gaeco na Operação Antivírus.
A investigação apurava suspeitas de irregularidades em contratos de informática firmados com órgãos públicos, principalmente o Detran-MS. Na ocasião, o Gaeco investigava possíveis crimes de corrupção ativa e passiva, fraude em licitação, peculato e organização criminosa.
O caso, porém, teve desdobramentos importantes. Em setembro de 2026, o próprio Ministério Público de Mato Grosso do Sul se manifestou pela absolvição de Gerson Claro na acusação de corrupção passiva, por entender que não havia elementos suficientes para sustentar uma condenação por esse crime.
Portanto, o fato de Gerson ter sido preso preventivamente em 2017 não significa que tenha sido condenado.
Jerson Domingos foi preso na Operação Omertà
O ex-presidente da Assembleia Legislativa e ex-conselheiro do Tribunal de Contas Jerson Domingos, eleito novamente para a Alems, também já foi preso.
Jerson foi preso preventivamente em junho de 2020, durante a terceira fase da Operação Omertà.
A operação investigava uma organização criminosa ligada ao jogo do bicho e outros crimes em Mato Grosso do Sul.
Anos depois, a situação judicial de Jerson voltou ao centro da discussão durante as eleições de 2026. O Ministério Público Eleitoral tentou impedir sua candidatura, apontando elementos decorrentes da Omertà.
O TRE-MS, entretanto, decidiu permitir que Jerson concorresse, entendendo que, naquele momento, os fatos apresentados não preenchiam as hipóteses legais necessárias para torná-lo inelegível.
Assim, diferentemente de Jamilson Name, Jerson chegou às urnas com o registro autorizado pela Justiça Eleitoral.
André Puccinelli foi preso duas vezes na Lama Asfáltica
O ex-governador André Puccinelli (MDB) também retorna à Assembleia carregando um longo histórico de embates judiciais.
Puccinelli foi preso em novembro de 2017, durante a quinta fase da Operação Lama Asfáltica, denominada Papiros de Lama.
A investigação da Polícia Federal apurava suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, fraudes em licitações e desvios de recursos públicos.
Ele foi solto após decisão judicial, mas acabou preso novamente em julho de 2018, também em desdobramento da Lama Asfáltica.
Puccinelli permaneceu preso durante meses até conseguir liberdade por decisão do Superior Tribunal de Justiça.
Posteriormente, os processos da operação sofreram importantes reviravoltas judiciais, inclusive decisões que questionaram a atuação do magistrado responsável pela condução dos casos.
Agora, aos 78 anos, Puccinelli retorna à Assembleia Legislativa depois de ter comandado Mato Grosso do Sul por dois mandatos.
Jamilson Name: eleito, mas sub judice
A situação mais indefinida da eleição é a de Jamilson Name (PP).
O parlamentar aparece entre os eleitos, com a indicação “sub judice”, o que significa que existe uma pendência judicial capaz de interferir na validade definitiva de sua candidatura e, consequentemente, de seus votos.
Jamilson foi alvo de investigação da Operação Omertà e acabou condenado, em primeira instância, a oito anos de prisão pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A sentença está sob recurso e, portanto, não é definitiva.
Às vésperas da eleição, sua candidatura sofreu novo revés na Justiça Eleitoral. A defesa, porém, recorreu da decisão, permitindo que ele permanecesse na disputa enquanto a questão jurídica não é definitivamente resolvida.
Por isso, apesar de aparecer entre os 24 eleitos, sua situação ainda depende da Justiça.
Pouca renovação nas 24 cadeiras
Além dos históricos judiciais de alguns dos eleitos, outro dado chama atenção: a baixa renovação da Assembleia Legislativa.
Entre os nomes apontados como novidades estão André Salineiro, Gianni Nogueira, Tiago Botelho, Daverson Matos e Ângelo Guerreiro. André Puccinelli também entra na nova composição, mas está longe de representar renovação política: já foi deputado estadual, prefeito de Campo Grande e governador por dois mandatos.
O resultado mostra que, mesmo depois de uma eleição disputada, Mato Grosso do Sul optou majoritariamente por políticos já conhecidos.
A partir de 2027, a Assembleia terá uma mistura de parlamentares reeleitos, antigos nomes que retornam à Casa, poucos estreantes e políticos que, em diferentes momentos de suas trajetórias, estiveram no centro de grandes operações policiais e disputas judiciais.
No caso de Jamilson Name, a própria composição definitiva da Casa ainda poderá depender do que decidir a Justiça.
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Foto: Divulgação



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