SIDROLÂNDIA

Aluguel caro em Sidrolândia: crescimento da cidade ou oportunismo? Trabalhadores preferem encarar a BR-060

Com kitnets chegando a R$ 1,2 mil, profissionais que trabalham no município fazem as contas e optam por continuar morando em Campo Grande, mesmo enfrentando diariamente os riscos da rodovia.

O preço dos aluguéis em Sidrolândia está pesando no bolso e levantando uma pergunta entre quem procura uma casa para morar: os valores são consequência natural do crescimento da cidade ou existe oportunismo diante da alta procura por imóveis?

A situação chegou a um ponto em que há trabalhadores que atuam todos os dias em Sidrolândia, mas preferem continuar morando em Campo Grande e pegar a BR-060 para trabalhar.

Segundo reportagem divulgada com base em matéria da TV Morena, esse movimento envolve profissionais de diferentes áreas, como saúde, educação, segurança, representantes comerciais, profissionais liberais e empresários.

Um dos exemplos é o enfermeiro Guilherme de Souza Pereira, que trabalha no hospital do município, mas continua morando na Capital.

O motivo é simples: a conta do aluguel não fecha.

Segundo ele, uma kitnet considerada boa em Sidrolândia pode custar entre R$ 1 mil e R$ 1,2 mil por mês. Somando outras despesas para morar na cidade, o custo mensal chegaria perto de R$ 1,8 mil.

Para o trabalhador, continuar em Campo Grande e viajar para Sidrolândia acaba saindo mais barato.

Cidade cresce — e aluguel acompanha

Existe também uma explicação econômica para essa pressão sobre os preços.

Sidrolândia vem crescendo e atraindo trabalhadores. O PIB do município saltou de R$ 2,1 bilhões em 2018 para R$ 4,1 bilhões em 2023, conforme dados do IBGE citados pela reportagem.

Mais empresas, empregos e trabalhadores significam também mais gente procurando onde morar. Quando a quantidade de casas e apartamentos disponíveis não cresce na mesma velocidade da procura, a tendência é o preço subir.

Mas é justamente aí que surge a discussão: até onde vai a valorização normal do mercado e onde começa o oportunismo?

Para quem recebe salário e precisa pagar aluguel, água, energia, alimentação e demais despesas, encontrar uma kitnet por R$ 1 mil ou R$ 1,2 mil pode tornar a mudança para Sidrolândia simplesmente inviável.

Economia no aluguel, risco na estrada

O problema é que economizar na moradia pode significar assumir outro custo — e muito mais sério.

Quem mora em Campo Grande e trabalha em Sidrolândia precisa enfrentar constantemente a BR-060.

Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal citados na reportagem, 64 acidentes foram registrados no trecho entre Campo Grande e Sidrolândia, de janeiro de 2025 até julho de 2026. Foram 72 pessoas feridas e seis mortes.

Ou seja: alguns trabalhadores estão colocando na balança o aluguel caro de um lado e o risco diário da rodovia do outro.

O cenário expõe um dos desafios trazidos pelo próprio desenvolvimento de Sidrolândia. A cidade cresce, gera empregos e movimenta mais dinheiro, mas precisa também ampliar a oferta de moradias para acompanhar essa transformação.

Enquanto isso não acontece, fica a pergunta que certamente vai render discussão:

Os aluguéis de Sidrolândia estão apenas acompanhando o crescimento da cidade ou tem gente aproveitando a alta procura para pesar a mão no preço?

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Foto: Four News

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