Durante entrevista ao Café e Política, ex-governador defendeu redução do número de ministérios, reforma do Judiciário, fim da reeleição e mudança nas regras para abertura de processos contra autoridades

O ex-governador de Mato Grosso do Sul e candidato ao Senado, Reinaldo Azambuja (PL), fez duras críticas ao PT, defendeu reformas estruturais no país e demonstrou confiança na vitória do governador Eduardo Riedel (PP) ainda no primeiro turno das eleições de 2026.
As declarações foram feitas nesta quarta-feira (16), durante entrevista ao programa Café e Política. Reinaldo também falou sobre sua mudança para o PL, a formação de uma aliança de centro-direita no Estado, a disputa pelas duas vagas ao Senado e as propostas que pretende defender caso seja eleito.
“Eu entendia que o PT já deu para o Brasil. A população brasileira vai ter uma oportunidade”, afirmou o ex-governador.
Em outro momento, Reinaldo declarou abertamente que não gosta do partido e encerrou sua participação com uma provocação.
“As pessoas ainda brincam que, graças a Deus, Mato Grosso do Sul está indo bem porque neste ano faz 20 anos que o PT não governa o Estado”, disse.
Riedel no primeiro turno
Reinaldo afirmou que acompanha pesquisas eleitorais desde março e que os levantamentos mostram uma tendência favorável à reeleição de Eduardo Riedel.
Segundo ele, o governador sofreu uma queda momentânea após a definição da candidatura presidencial de Flávio, mas voltou a ampliar sua vantagem. O ex-governador disse ainda que a oposição tem pouca presença nas ruas.

“Nos últimos dez dias, quando a campanha entrou na rua em todos os lugares, você praticamente não vê a oposição presente. Existe uma forte simpatia do eleitorado pela reeleição do governador”, declarou.
Reinaldo também contestou a informação de que o PT teria o apoio de 50 ou 60 prefeitos em Mato Grosso do Sul.
“É mentira. Não tem isso. Se tiver nove, é por aí. Não passa disso”, afirmou.
Na avaliação do candidato, a coligação de centro-direita possui condições de reeleger Riedel e conquistar as duas vagas ao Senado.
“Acredito muito que nós vamos ter um ótimo resultado. A coligação que montamos tem chances reais de eleger os dois senadores e reeleger o governador”, disse.
Mudança para o PL
Ao explicar sua saída do PSDB depois de aproximadamente 30 anos, Reinaldo disse que aceitou o desafio de organizar o PL e ajudar na reeleição de Eduardo Riedel.
Ele afirmou que não realizou intervenção em nenhum diretório municipal e preferiu dialogar com as lideranças já estabelecidas.
“Eu entendo que não é com extremismo que você ganha eleição. A gente ganha eleição unindo forças”, declarou.
Segundo o ex-governador, o objetivo foi aproximar a direita de partidos e lideranças do centro, reunindo nomes que estavam em lados diferentes na eleição de 2022, como André Puccinelli, Rose Modesto e Capitão Contar.
Reinaldo também afirmou que as candidaturas ao Senado foram definidas por pesquisas e que os acordos foram respeitados.
“Na política, aquilo que você combina, você tem que cumprir”, disse.
“38 ministérios é uma loucura”
Entre as principais propostas apresentadas durante a entrevista, Reinaldo defendeu uma ampla reforma administrativa para diminuir o tamanho e o custo do Estado brasileiro.
“O Brasil está muito caro para nós. Trinta e oito ministérios é uma loucura”, afirmou.
Segundo ele, a atual estrutura do governo federal serve para ampliar gastos e atender interesses políticos. Reinaldo comparou o Brasil com países como Estados Unidos, China e Argentina, que, conforme citou, possuem menos ministérios.
O candidato disse que pretende levar para Brasília a experiência das reformas administrativa e fiscal realizadas em Mato Grosso do Sul a partir de 2015.
Segundo Reinaldo, as mudanças na política estadual de incentivos fiscais ajudaram a atrair cerca de R$ 140 bilhões em investimentos nos últimos 11 anos. Ele também afirmou que a produção de grãos do Estado passou de 14 milhões de toneladas, em 2015, para aproximadamente 30 milhões de toneladas em 2026.
O ex-governador defendeu ainda uma nova discussão sobre a Previdência, mais investimentos em infraestrutura e maior segurança jurídica para os empresários.
Inpasa e mão de obra do Paraguai
Ao tratar da expansão industrial, Reinaldo citou a Inpasa em Sidrolândia,para alertar sobre a falta de trabalhadores qualificados em Mato Grosso do Sul.
Segundo ele, a indústria deverá esmagar mais de 1 milhão de toneladas de milho, mas poderá precisar buscar mão de obra no Paraguai para atender à demanda.
A declaração reforçou a necessidade de ampliar os investimentos em ensino técnico e qualificação profissional, para que os empregos criados pelas novas indústrias sejam ocupados por trabalhadores sul-mato-grossenses.
Reinaldo também mencionou o exemplo de uma empresa de salgadinhos que possui fábricas em Campo Grande, João Pessoa e Assunção. Conforme relatou, o produto fabricado no Paraguai chegaria à Capital, já com o custo do frete, 15% mais barato do que o produzido no Brasil.
“Então tem alguma coisa errada com o Brasil”, criticou.

Mudança nas regras do Senado
Reinaldo também defendeu uma mudança constitucional para retirar do presidente do Senado o poder exclusivo de decidir sobre a abertura de processos contra autoridades.
Atualmente, segundo ele, pedidos importantes podem permanecer sem análise durante todo o mandato do presidente da Casa.
“Um presidente não pode falar por 81. Isso está errado”, afirmou.
A proposta defendida pelo candidato é permitir que a maioria absoluta dos senadores, equivalente a 41 votos, autorize a abertura de processos contra autoridades submetidas ao julgamento do Senado.
Reinaldo também criticou a atuação do Supremo Tribunal Federal e defendeu uma reforma do Judiciário. Ao comentar um pedido envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, afirmou que não se tratava de uma condenação antecipada.
“Ninguém estava pedindo para condenar o Moraes. Estávamos pedindo para afastar e investigar. Esse era o papel que o Supremo tinha que ter respondido ao Brasil e não fez”, declarou.
Fim da reeleição e voto facultativo
Outra proposta defendida pelo ex-governador foi o fim da reeleição para presidente da República, governadores e prefeitos.
Reinaldo sugeriu mandatos de cinco anos e a unificação das eleições municipais, estaduais e nacionais. Com isso, o eleitor votaria para vereador, prefeito, deputado, senador, governador e presidente em uma única eleição.
“O Brasil não pode ter eleição a cada dois anos”, afirmou.
Na avaliação dele, a possibilidade de reeleição faz com que os governantes pensem na próxima campanha antes mesmo de executar o programa de governo.
“O Executivo ganha e não pensa em fazer um programa de governo ou projetar as medidas que precisa tomar. Já começa a pensar na reeleição”, disse.
O candidato afirmou que, se eleito senador, votará pelo fim da reeleição e pela unificação dos pleitos. Ele também defendeu que o país discuta a adoção do voto facultativo diante do crescimento da abstenção eleitoral.
“Por que voto obrigatório? Dá para pensar no voto facultativo, não dá?”, questionou.
Prefeito precisa “fazer o básico”
Ao falar sobre as administrações municipais, Reinaldo disse que os prefeitos devem priorizar a zeladoria e os serviços essenciais antes de anunciar grandes obras.
“Quer fazer uma grande obra para quê? Faz o básico da cidade”, declarou.
O ex-governador citou como exemplo uma cidade limpa, iluminada, sem buracos, com praças conservadas, médicos nos postos de saúde, medicamentos e exames disponíveis.
Ele mencionou a gestão de Marçal Filho em Dourados e afirmou que o prefeito alcançou elevada aprovação ao concentrar esforços nesses serviços.
“Não tem buraco na rua, o meio-fio está pintado, a grama do canteiro está roçada, a iluminação está funcionando, o médico está no posto, tem medicamento e tem exame. É o dever de casa que tem que fazer”, concluiu.
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Foto: Four News



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