Deputado do PT afirma ter alertado o presidente sobre suposta influência de aliados da direita em movimentos indígenas de Mato Grosso do Sul

A disputa entre direita e esquerda em Mato Grosso do Sul ganhou um novo capítulo após os recentes conflitos envolvendo ocupações das fazendas São Geraldo,Vassoura e Água Clara em Sidrolândia. O deputado estadual Zeca do PT afirmou que parte da movimentação estaria sendo articulada por pessoas ligadas à direita para desgastar o governo federal.
Entre os nomes citados por Zeca está o ministro dos Povos Indígenas, o sul-mato-grossense Eloy Terena. O parlamentar criticou a proximidade do ministro com a ex-secretária estadual Viviane Luiza da Silva, pré-candidata a deputada federal pelo PSDB.
“Aqui no Estado o Eloy está fechado com a Viviane . Eu já avisei isso para o Lula e para o pessoal de Brasília“, declarou Zeca.
O conflito na região é antigo e se arrasta há décadas. Em 2003, indígenas ocuparam várias fazendas da região para obrigar o Governo federal a demarcar a Terra Indígena Buriti, uma área de 17,2 mil hectares. Em 2013, houve confronto com a Polícia Militar e um índio morreu.
A fala amplia a disputa política em torno da questão indígena no Estado, tema que voltou ao centro do debate após as ocupações de propriedades rurais registradas nos últimos dias em Sidrolândia.
Outro lado
Nove caciques e lideranças indígenas das aldeias de Sidrolândia e Dois Irmãos do Buriti negaram participação e ainda condenaram a invasão e depredação comandada por “indígenas de direita” nas fazendas São Sebastião e Água Clara. A acusação irritou o bolsonarista Rafael Tavares (PL), que acusou o ex-governador Zeca do PT de “gagá” e que invasões são patrocinadas pela esquerda.

Zeca do PT e o deputado federal Vander Loubet (PT) foram a Sidrolândia para a reunião com os indígenas para refutar qualquer ligação o partido e da esquerda com a ocupação e depredação das duas propriedades rurais. Os indígenas exigem a demarcação da área total da Terra Indígena Buriti, que soma 17,2 mil hectares.
O grupo – que representa as aldeias Novo Buriti, Água Azul, André, 1º de Maio, Barreirinho, Lago Azul, Olho d’Água e Recanto – reafirmou a importância da luta pela demarcação e pelo pleno direito às áreas da TI Buriti, mas destacou não concordar com a forma como foi conduzida a ocupação, com depredação tanto na Fazenda São Sebastião quanto na Fazenda Água Clara.
A defesa de invasões de propriedades ficou no passado para Zeca do PT. O deputado federal destacou que defende a pauta dos indígenas, mas sem violência ou desrespeito a propriedade privada.
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Foto: Divulgação



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