POLICIAL

Baleado enquanto tomava tereré em Sidrolândia é apontado como líder de grupo acusado de tortura e ataques a tiros

Sidival Ribeiro da Silva, de 33 anos, responde a processo por tortura e associação criminosa; investigação aponta que grupo arrancou sobrancelha de vítima com ferramenta para cobrar dívida de drogas.

Vítima teve a sobrancelha arrancada por chave turquesa durante sessão de tortura (Foto:Divulgação)

O homem baleado enquanto tomava tereré com um amigo, na manhã de quinta-feira (8), em Sidrolândia, tem um histórico de acusações envolvendo crimes violentos em Mato Grosso do Sul. Identificado como Sidival Ribeiro da Silva, de 33 anos, ele é apontado pelas investigações como líder de um grupo criminoso que atuava na região de Rochedo e responde judicialmente por tortura e associação criminosa.

A informação, divulgada nesta sexta-feira (9) revela novos detalhes sobre o passado do homem que foi alvo de uma tentativa de homicídio no Bairro Ipacaray.

Segundo denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), Sidival teria participado de uma sessão de tortura contra um homem por causa de uma dívida relacionada ao tráfico de drogas. A violência incluiu agressões físicas, sufocamento e até a retirada dos pelos da sobrancelha da vítima com uma chave turquesa, ferramenta utilizada para cortar metais.

Tortura por dívida de drogas

O episódio investigado ocorreu em 12 de julho de 2023, em uma residência no Bairro Recanto dos Pintados, em Corguinho.

Conforme a acusação do Ministério Público, Sidival e Kelvini Deniz Almeida teriam participado das agressões contra um homem que supostamente devia dinheiro a uma facção criminosa. A vítima relatou ter sofrido socos, chutes, enforcamento e ameaças. Os agressores também teriam utilizado um saco plástico para provocar sufocamento. O caso chegou à Justiça, que recebeu a denúncia contra os dois acusados por tortura e associação criminosa.

Vítima teria sido jogada em rio e depois atingida por sete tiros

As investigações também relacionaram o grupo a outros episódios de extrema violência. Em um dos casos, um homem relatou ter sido espancado e jogado no Rio Aquidauana, conseguindo sobreviver. Posteriormente, após familiares denunciarem o ocorrido, Sidival teria ido até a residência da vítima acompanhado de outros quatro suspeitos. Na ocasião, segundo a investigação, o homem foi atingido por sete disparos de arma de fogo, incluindo um tiro no rosto. Um papagaio que estava na residência também foi morto.

Em agosto de 2023, cinco suspeitos de integrar o grupo foram presos durante investigações sobre torturas, tentativas de homicídio e cobranças violentas relacionadas ao tráfico de drogas. Sidival também tinha mandado de prisão preventiva expedido pela Vara Única da Comarca de Rio Negro.

As defesas dos acusados negaram a autoria dos crimes, questionaram as provas apresentadas e solicitaram a absolvição. Não há informação de condenação definitiva nos processos mencionados.

Ataque aconteceu em plena luz do dia em Sidrolândia

Na manhã de quinta-feira (8), Sidival estava na Rua José Ferreira França, no Bairro Ipacaray, tomando tereré com um amigo quando dois homens se aproximaram e efetuaram vários disparos. Após o ataque, os suspeitos fugiram e, segundo testemunhas, ainda teriam ameaçado retornar ao local.

O homem foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado ao Hospital Elmíria Silvério Barbosa. A Polícia Civil conseguiu identificar um dos suspeitos de participar do atentado, utilizando imagens e informações de bancos de dados policiais.

A ocorrência foi registrada como tentativa de homicídio.

Violência preocupa moradores de Sidrolândia

O atentado acontece em um momento de preocupação com a segurança pública em Sidrolândia, município que vem registrando uma sequência de homicídios e tentativas de assassinato.

Investigações da Polícia Civil apontam uma disputa entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV), relacionada principalmente ao controle do tráfico de drogas. Pelo menos 13 crimes, entre homicídios consumados e tentativas, já foram relacionados pelas autoridades à rivalidade entre os grupos.

Apesar do histórico criminal atribuído a Sidival, a Polícia Civil ainda não confirmou qualquer ligação entre o atentado de quinta-feira e a disputa entre facções em Sidrolândia. A motivação dos disparos continua sendo investigada, assim como a participação dos envolvidos.

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Foto: Divulgação

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