TRANSPARÊNCIA

Depois de ser preso com R$ 127 mil, assessor de Lídio Lopes perde o emprego na Assembleia Legislativa

José Antônio Pires de Souza, conhecido como Zé Bocão, foi exonerado após ser flagrado com dinheiro vivo e material de campanha eleitoral. Ex-assessor também é suspeito de tentar subornar policiais com R$ 5 mil.

O escândalo envolvendo a apreensão de R$ 127 mil em dinheiro vivo durante a campanha eleitoral de 2026 ganhou mais um capítulo em Mato Grosso do Sul. O deputado estadual Lídio Lopes (Avante) exonerou de seu gabinete o assessor parlamentar José Antônio Pires de Souza, conhecido como Zé Bocão, preso sob suspeita de envolvimento em compra de votos.

A exoneração foi publicada no Diário Oficial da Assembleia Legislativa no dia 9 de outubro, mas com efeito retroativo a 1º de outubro, um dia após a prisão do ex-assessor. Zé Bocão, que já exerceu mandato de vereador em Mundo Novo, ocupava um cargo comissionado na Assembleia Legislativa e recebia salário mensal de R$ 2.983,49.

R$ 127 mil em dinheiro vivo e material eleitoral

A prisão aconteceu no dia 30 de setembro, no município de Japorã, no extremo sul de Mato Grosso do Sul. Durante uma abordagem, policiais militares encontraram R$ 127 mil em espécie, distribuídos em pacotes, além de materiais de propaganda eleitoral ligados à campanha de reeleição do deputado Lídio Lopes.

O ex-assessor informou que havia saído de Campo Grande com destino a Mundo Novo, onde participaria de atividades políticas. Entretanto, segundo o registro policial, ele não conseguiu esclarecer a origem do dinheiro transportado.A apreensão levantou suspeitas de que os recursos poderiam ser utilizados para compra de votos na região sul do Estado.

Tentativa de suborno complicou ainda mais a situação

Como se a apreensão da quantia não fosse suficiente para levantar questionamentos, o episódio ganhou outro agravante. Conforme o relato policial, Zé Bocão teria oferecido R$ 5 mil aos militares para tentar evitar a prisão e conseguir seguir viagem com o dinheiro. A proposta foi recusada pelos policiais, e a suposta tentativa de suborno passou a integrar o caso.

Posteriormente, a Justiça Eleitoral estabeleceu fiança de R$ 32 mil para a liberação do ex-assessor.

Demissão veio nove dias depois da prisão

Apesar da repercussão do flagrante, a exoneração de Zé Bocão só foi formalizada no dia 9 de outubro, nove dias após a ocorrência. O desligamento foi oficializado por ato da presidência da Assembleia Legislativa, comandada pelo deputado Gerson Claro (PP), com efeitos retroativos ao dia seguinte à prisão.

Com isso, o ex-vereador deixou de integrar oficialmente a equipe parlamentar de Lídio Lopes.

E agora, de quem eram os R$ 127 mil?

A saída do assessor do gabinete não encerra os questionamentos envolvendo o episódio. A principal dúvida continua sendo a origem e a verdadeira finalidade dos R$ 127 mil encontrados dentro do veículo, juntamente com materiais eleitorais.

Também permanece a necessidade de esclarecer quem disponibilizou os recursos e qual seria o destino do dinheiro.

É importante destacar que a apreensão não comprova, por si só, a prática de compra de votos nem a participação do deputado Lídio Lopes em eventual irregularidade. A responsabilidade de cada envolvido dependerá das investigações e das conclusões da Justiça.

Enquanto isso, o caso continua repercutindo no cenário político sul-mato-grossense.

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Foto: Divulgação

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