Rodrigo Basso lembra que atual presidente do SIPREMS integrou a gestão passada, quando Prefeitura também alegava impacto financeiro para não conceder de uma só vez reajuste reivindicado pelos professores; prefeito critica movimento que pode deixar mais de 9 mil alunos sem aula

O embate entre a Prefeitura de Sidrolândia e representantes dos profissionais da Educação ganhou um novo capítulo e subiu de tom nas redes sociais. O prefeito Rodrigo Basso direcionou críticas à presidente do SIPREMS, Maristela Stefanello, e trouxe à discussão um ponto do passado político-administrativo da dirigente sindical: ela já esteve do outro lado da mesa de negociação.
Maristela foi secretária municipal de Educação durante a gestão da ex-prefeita Vanda Camilo. Agora, como presidente do Sindicato dos Profissionais da Rede Municipal de Ensino de Educação Básica de Sidrolândia (SIPREMS), está à frente das cobranças da categoria e do movimento que prevê paralisação na rede municipal.
Em publicação nas redes sociais, Basso criticou duramente a mobilização. Segundo o prefeito, a paralisação pretende atingir cerca de 1.200 servidores da Educação e poderá deixar mais de 9 mil estudantes sem aula.
“Presidente de sindicato, eleita com 73 votos, toca o terror em rede social e tenta paralisar todos os 1200 servidores municipais da Educação”, escreveu o prefeito. Basso também destacou que os salários estão em dia e afirmou que Sidrolândia possui os maiores salários do Estado por hora-aula.
Passado de Maristela entra no debate
O ponto que chama atenção no embate atual é que uma discussão semelhante sobre remuneração dos professores ocorreu justamente quando Maristela comandava a Secretaria Municipal de Educação.
Em reportagem da época da administração Vanda Camilo, a Prefeitura anunciava reajuste de 9% aos professores, que, somado aos 11,9% concedidos anteriormente, representaria aumento acumulado de 22,06% naquele ano.
Na ocasião, porém, a aplicação imediata do reajuste de 33,24% reivindicado pela categoria era apontada pela própria administração como financeiramente difícil. Segundo cálculos da Secretaria Municipal de Fazenda indicavam impacto de aproximadamente R$ 1 milhão por mês, além do risco de ultrapassar o limite prudencial de comprometimento da receita com a folha.
Maristela Stefanello era a secretária de Educação naquele período. A saída encontrada pela administração foi manter as negociações e avançar gradualmente na questão salarial.
O episódio antigo agora ganha novo peso diante da posição ocupada por Maristela: antes integrante do Executivo que precisava conciliar reivindicações dos professores com as limitações financeiras do Município, hoje ela ocupa a presidência do sindicato e está do outro lado da negociação.
Prefeito chama população para o debate
O prefeito também direcionou sua publicação aos contribuintes e principalmente aos pais e responsáveis pelos estudantes.
“Você, cidadão que paga essa conta com seus impostos” e “Você, pai, mãe ou responsável de aluno”, escreveu Basso antes de pedir que a população deixasse sua opinião sobre a paralisação.

A estratégia deixa claro que o prefeito pretende levar a discussão para além das reuniões entre sindicato e Prefeitura, colocando na mesa também o impacto de uma paralisação sobre milhares de famílias.
O histórico de Maristela não elimina o direito do sindicato de reivindicar melhorias para a categoria, nem significa que as condições financeiras das duas administrações sejam necessariamente as mesmas. Mas traz um elemento importante para o debate: quem hoje cobra soluções do Executivo já viveu, como secretária, as dificuldades de administrar as mesmas reivindicações do outro lado da mesa.
Com o aumento da tensão, a disputa que começou em torno das reivindicações dos profissionais da Educação passa também a envolver responsabilidade fiscal, continuidade das aulas e coerência entre discursos do passado e do presente.
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Foto: Divulgação



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