POLÍTICA

“Tem que matar”: Elaine Souza faz discurso duro contra violência às mulheres e defende até pena de morte

Vereadora cita 225 notificações de violência doméstica em Sidrolândia desde janeiro, critica eficácia de medidas protetivas em casos extremos e pede leis mais severas contra agressores

Um dos discursos mais fortes da sessão desta segunda-feira (31) na Câmara Municipal de Sidrolândia veio da vereadora Elaine Souza, durante uma manifestação relacionada ao Agosto Lilás e ao combate à violência contra a mulher.

Ao abordar casos de feminicídio, agressões domésticas e violência contra crianças, a parlamentar elevou o tom e defendeu um endurecimento radical das punições no Brasil, chegando a mencionar castração química e pena de morte.

“Precisamos de mudanças lá em cima, de leis mais duras, de castração química, de negócio de morte lá, de pena de morte. Tem que matar, infelizmente tem que matar, porque eles estão matando as nossas mulheres, eles estão matando as nossas crianças”, declarou.

225 notificações em Sidrolândia

Além das declarações contundentes, Elaine apresentou um dado que chamou atenção.

Segundo a vereadora, Sidrolândia registrou 225 notificações de violência doméstica entre janeiro e o período atual.

“225 mulheres foram agredidas dentro das suas casas”, afirmou.

O número foi apresentado pela parlamentar durante a sessão. Elaine ressaltou que muitos episódios ocorridos no município não chegam diariamente ao conhecimento da população pelas redes sociais ou pela imprensa.

“Os números aqui de Sidrolândia não são diferentes. Eles só não são divulgados todos os dias, mas acontece. Infelizmente acontece dentro do município”, disse.

Vereadora relata caso dentro da própria família

O discurso ganhou ainda um tom pessoal quando Elaine revelou que sua própria família já enfrentou uma situação envolvendo violência contra uma mulher.

“Às vezes é alguém ali do lado da nossa casa, às vezes é uma vizinha, às vezes é uma irmã, que eu já sofri isso com a minha irmã”, contou.

Ela pediu que mulheres observem o que acontece ao seu redor e formem uma rede de apoio para ajudar possíveis vítimas.

“Não adianta medida protetiva se elas morrem”

Elaine também questionou a capacidade das medidas atualmente existentes de impedir crimes cometidos por agressores determinados a atacar suas vítimas.

“Não vai adiantar a tornozeleira eletrônica, porque eles matam usando tornozeleira eletrônica. Não adianta a medida protetiva, porque elas morrem com medidas protetivas”, afirmou.

A vereadora citou episódios de violência divulgados recentemente para defender sua posição de que o Congresso Nacional deveria discutir punições mais severas.

Pena de morte não é prevista para esses crimes no Brasil

Apesar da defesa feita por Elaine, a Constituição Federal não permite a aplicação da pena de morte para crimes comuns no Brasil. A única exceção constitucional ocorre em caso de guerra declarada.

Portanto, uma eventual adoção da pena capital para autores de feminicídio, violência sexual ou outros crimes enfrentaria uma barreira constitucional muito maior do que simplesmente aumentar as penas previstas atualmente.

A fala da parlamentar, entretanto, deixa claro o tamanho da indignação que ela quis transmitir na tribuna.

Entre números locais, relatos de violência e críticas às punições atuais, Elaine encerrou sua manifestação com um recado contundente: para ela, o Brasil precisa endurecer a resposta contra quem agride e mata mulheres e crianças.

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Foto: Reprodução

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