Presidente da Câmara afirmou que município enfrenta dificuldade para equilibrar as contas e sugeriu cortes em gratificações e despesas; declarações sobre eventual mudança no pagamento foram apresentadas pelo próprio vereador como uma possibilidade

O presidente da Câmara Municipal de Sidrolândia, vereador Otacílio Figueiredo, o Gringo, fez um longo alerta sobre a situação financeira da Prefeitura durante a sessão desta segunda-feira (31). Em discurso na tribuna, o parlamentar afirmou que já vinha prevendo um “colapso de receita” no município e chegou a levantar a possibilidade de mudança na data de pagamento dos servidores.
A declaração, no entanto, foi feita como uma previsão do próprio vereador. Durante a fala apresentada na sessão, Gringo não informou sobre qualquer decisão oficial da Prefeitura para alterar a data da folha.
“Não me assuste que daqui a pouco eles terão de mudar a data de pagamento para o dia 10”, afirmou.
Na sequência, reforçou que estava apresentando um alerta e não anunciando uma medida do Executivo.
“Pode ser que a Prefeitura mude a data de pagamento. Eles estão tendo uma dificuldade de captar receita”, declarou.
Gringo fala em necessidade de R$ 10 milhões
Durante o pronunciamento, o presidente da Câmara também mencionou valores existentes nas contas municipais. Em determinado momento houve até uma confusão entre “mil” e “milhões”, corrigida durante a própria fala.
Segundo Gringo, a administração teria aproximadamente R$ 6 milhões em conta e precisaria levantar cerca de R$ 10 milhões até o dia 5 para conseguir realizar o pagamento da folha.
Os números foram apresentados pelo vereador durante seu pronunciamento e precisam ser confrontados com os dados oficiais da Prefeitura para determinar a situação exata das disponibilidades financeiras e das obrigações do município.
Gringo afirmou ainda que, antes do recesso parlamentar, já havia alertado publicamente para uma possível queda na capacidade financeira da administração.
“Eu tinha falado a público que o município ia passar por um colapso de receita e está acontecendo”, disse.
Presidente da Câmara defende cortes
Apesar das críticas à relação política entre Executivo e Legislativo, o próprio presidente da Câmara reconheceu que a administração poderá precisar tomar medidas impopulares para equilibrar as contas.
“Ele vai ter que cortar mesmo, não tem jeito. Diminuir gratificações, equilibrar as contas”, afirmou.
Para Gringo, algumas despesas podem ser adiadas enquanto serviços essenciais devem ser preservados.
O vereador citou saúde, transporte de pacientes, merenda e transporte escolar como áreas que não poderiam sofrer interrupções.
Já investimentos que possam esperar, segundo ele, deveriam ser reavaliados temporariamente.
“Uma obra, talvez uma pavimentação asfáltica, segura até melhorar a receita”, sugeriu.
“Não pode chegar ao ponto de fechar a UPA”
Em outro trecho que chamou atenção, Gringo afirmou que é necessário buscar equilíbrio financeiro para evitar que a situação chegue ao ponto de comprometer serviços importantes.
“Nós estamos aqui na Câmara Municipal de portas abertas […] para que a gente encontre a melhor solução para que o nosso município daqui a pouco não tenha que fechar a UPA, fechar a Upinha, fechar a Clínica das Mulheres”, declarou.
Novamente, a fala foi apresentada dentro de um cenário hipotético de preocupação levantado pelo vereador, e não como anúncio de fechamento dessas unidades.
Gringo também cobra aproximação de Rodrigo Basso
O presidente da Câmara aproveitou o discurso para cobrar maior diálogo do prefeito Rodrigo Basso com os vereadores.
Segundo ele, os parlamentares têm apresentado sugestões à administração, mas falta maior aproximação entre Executivo e Legislativo.
“Por mais que o Rodrigo não tenha essa, vamos dizer, habilidade política de trazer os vereadores para perto, ele precisa fazer isso se quiser tocar”, afirmou.
Gringo disse ainda que a Câmara não pretende trabalhar contra a administração e argumentou que os vereadores precisam analisar cuidadosamente os projetos enviados pelo Executivo.
“Não é porque o projeto está aqui que pode ser que seja bom”, declarou.
Ao finalizar, o presidente reforçou que considera necessário reduzir despesas e estabelecer prioridades.
O discurso colocou novamente as contas públicas no centro do debate político de Sidrolândia. Mas, entre previsões de “colapso”, possibilidade de mudança na data da folha e cenários envolvendo serviços públicos, caberá aos números oficiais da Prefeitura mostrar qual é, de fato, o tamanho do problema apresentado pelo presidente da Câmara.
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Foto: Divulgação



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