POLICIAL

Baleado no Pindorama é acusado de decretar morte de delator em “tribunal do crime”

Homem de 31 anos, conhecido como “Cabeça Gorda”, foi alvo de atentado na porta da casa da namorada; segundo denúncia do MPMS, ele comandava ações de grupo criminoso e teria determinado uma execução por videochamada enquanto estava preso

Vítima do suposto “tribunal do crime” apresenta ferimentos na orelha e no rosto. (Reprodução)

O homem de 31 anos baleado na tarde desta quarta-feira (12), no bairro Pindorama, em Sidrolândia, é conhecido como “Cabeça Gorda” e já foi denunciado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) por envolvimento em uma organização criminosa e por participação em uma tentativa de execução ocorrida em 2024.

Segundo a denúncia do MPMS, “Cabeça Gorda” teria participado, por videochamada e enquanto estava preso, de um “tribunal do crime” que decretou a morte de um homem apontado pelo grupo como delator. A execução só não foi consumada porque a vítima conseguiu fugir. O processo ainda não foi julgado.

As novas informações surgem após o atentado registrado nesta quarta-feira no Pindorama. “Cabeça Gorda” estava na casa da namorada quando um homem e uma mulher chegaram de motocicleta, bateram palmas no portão e o chamaram pelo nome.

Quando ele saiu para verificar quem estava no local, foi surpreendido pelos disparos.

Segundo o boletim de ocorrência, durante o ataque a arma utilizada pelo homem apresentou uma pane. A mulher que o acompanhava teria então entregado outra arma para que os disparos continuassem.

Mesmo ferido, “Cabeça Gorda” conseguiu fugir e buscar ajuda. Ele acabou indo de motocicleta ao Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa.

A equipe médica constatou ferimento no lado direito do abdômen, com entrada pela frente e saída pelas costas, além de outro disparo no antebraço esquerdo, onde o projétil ficou alojado. Ele estava consciente e orientado durante o atendimento.

Casal foi preso horas depois

Após o crime, equipes da Polícia Militar iniciaram buscas pelos suspeitos. A vítima teria reconhecido a mulher envolvida no atentado e repassado informações aos policiais.

Durante as diligências, policiais abordaram um Volkswagen Gol branco na Vila Tereré. No veículo estavam os suspeitos Samara e Westlley, além de outras pessoas e do motorista.

Segundo o registro policial, no momento da abordagem, Westlley teria jogado no chão um revólver calibre .38 com cinco munições intactas e numeração suprimida.

Na bagagem dos suspeitos também foram encontradas munições de calibres .38 e .380, além de dois carregadores de pistola.

Conforme registrado pela polícia, Westlley confessou ter efetuado os disparos contra a vítima, enquanto Samara teria admitido que pilotava a motocicleta utilizada no ataque e que deu fuga ao comparsa.

Samara também teria indicado aos policiais o local onde a motocicleta usada no crime havia sido abandonada, além de apontar onde estavam peças de roupa e armas que teriam sido utilizadas na ação.

“Tribunal do crime” em 2024

De acordo com denúncia do MPMS, “Cabeça Gorda” integraria uma organização criminosa que atuou em Sidrolândia entre 2023 e 2024.

Mesmo enquanto estava no sistema prisional, ele é acusado de continuar participando do tráfico de drogas e de decisões relacionadas a punições impostas pelo grupo.

Conversas anexadas aos autos apontam “Cabeça Gorda” como responsável por coordenar a venda de drogas.

Um dos episódios investigados aconteceu em 8 de julho de 2024. Um homem conhecido como “Maranhão” teria sido acusado pela organização criminosa de repassar informações do grupo às autoridades.

Conforme a acusação, a vítima foi atraída até uma residência e os envolvidos fizeram uma videochamada com “Cabeça Gorda”, que estava preso.

Durante a chamada, ele teria lido informações do interrogatório policial de “Maranhão” e decretado sua morte diante dos demais integrantes do grupo.

Após a suposta sentença, a vítima foi agredida, amarrada, amordaçada e colocada no porta-malas de um Corsa preto. O plano, segundo a denúncia, era levá-la até a zona rural para a execução.

No caminho, porém, “Maranhão” recuperou a consciência, conseguiu se soltar e, quando o porta-malas foi aberto, correu para uma área de vegetação. Ele conseguiu chegar a uma propriedade vizinha e pedir ajuda, escapando da execução.

Os envolvidos foram denunciados por crimes que incluem organização criminosa e tentativa de homicídio qualificado. O caso ainda não foi julgado, portanto as acusações ainda serão analisadas pela Justiça.

Motivação do atentado ainda é investigada

Apesar do histórico apontado pelo Ministério Público, até o momento não há confirmação de que o atentado desta quarta-feira tenha relação com o episódio do “tribunal do crime” de 2024.

A própria vítima afirmou aos policiais desconhecer a motivação dos disparos.

A Polícia Civil deverá investigar as circunstâncias do ataque, a participação dos suspeitos presos e o que teria motivado a tentativa de homicídio.

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Foto: Divulgação/Reprodução

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