Vereadores trataram substituição de trabalhadores de processo seletivo como demissão definitiva, mas não mencionaram a necessidade de reduzir a folha diante da queda na receita municipal.

Os vereadores Cleidinaldo Cotócio (PSDB e Izaqueu Diniz (PSD) voltaram a elevar o tom contra a Prefeitura de Sidrolândia durante sessão da Câmara Municipal. Desta vez, os parlamentares acusaram a gestão do prefeito Rodrigo Basso (PL) de demitir 19 guardas patrimoniais e deixar pais de família desempregados.
Cotócio afirmou que os profissionais “dormiram empregados e acordaram desempregados”. Já Izaqueu disparou contra o prefeito e pediu que ele “respeite o pequeno”. Os discursos foram carregados de críticas e frases de efeito, mas deixaram de apresentar uma informação fundamental: os trabalhadores foram contratados por processo seletivo, de caráter temporário, e a administração está promovendo uma substituição de pessoal.
Também não foi mencionado pelos vereadores que o município enfrenta queda na receita e precisa reduzir as despesas com a folha de pagamento para manter o equilíbrio financeiro e garantir a continuidade dos serviços públicos.
Processo seletivo não garante estabilidade
Diferentemente de um servidor aprovado em concurso público, o contratado por processo seletivo ocupa uma função temporária e pode ser substituído ao término do contrato ou conforme a necessidade administrativa.
Isso não diminui a preocupação com as famílias afetadas, mas muda completamente a forma como o caso foi apresentado na tribuna. Não se trata simplesmente de retirar trabalhadores e abandonar os postos, como fizeram parecer os vereadores de oposição, mas de reorganizar as equipes e adequar os gastos à atual realidade financeira do município.
Crítica sem apresentar solução
Durante os pronunciamentos, Cotócio e principalmente Izaqueu gritaram, atacaram o prefeito e acusaram a gestão de falta de sensibilidade. Porém, nenhum dos dois explicou de onde deveria sair o dinheiro para manter todos os contratos diante da redução da arrecadação.
Também não apresentaram uma proposta concreta para diminuir as despesas sem atingir algum setor da administração. É fácil transformar uma decisão administrativa difícil em discurso político. Mais difícil é apontar uma solução responsável que preserve empregos sem comprometer as contas públicas.
Fiscalizar e cobrar explicações fazem parte do trabalho de qualquer vereador. Entretanto, repetir acusações em tom elevado sem apresentar todo o contexto pode confundir a população. Gritar mais alto não transforma uma versão incompleta em verdade.
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Foto: Divulgação/IA



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