SIDROLÂNDIA

Prefeitura de Sidrolândia admite atrasos, mas diz que cenário reflete crise enfrentada por municípios em todo o país

Gestão contesta leitura de dívida de R$ 40 milhões e afirma que valor reúne folha, recursos vinculados, desapropriações e obrigações do mês; passivo com recurso próprio, segundo o prefeito, gira em torno de R$ 14,6 milhões

A divulgação de que a Prefeitura de Sidrolândia teria encerrado o primeiro semestre com mais de R$ 40 milhões em despesas liquidadas e não pagas reacendeu o debate sobre a situação financeira do município. A administração, no entanto, rebate a interpretação de que o valor represente exclusivamente atraso generalizado com fornecedores e sustenta que o cenário precisa ser analisado dentro de um contexto maior de crise fiscal enfrentada por prefeituras de todo o país.

Ao Four News, o prefeito Rodrigo Basso (PL) afirmou que o número divulgado reúne despesas de naturezas distintas dentro da execução orçamentária, incluindo folha de pagamento, obrigações de fechamento do mês, recursos vinculados e valores relacionados a bens imóveis, como desapropriações. Segundo ele, quando se separa o que de fato corresponde a despesas com recursos próprios, o passivo cai para cerca de R$ 14,6 milhões.

De acordo com o prefeito, R$ 11.786.672,31 correspondem a despesas com recursos próprios, excluindo folha de pagamento e bens imóveis. Outros R$ 2.900.896,13 são referentes a dívidas com bens imóveis, como desapropriações. Somados, os dois valores chegam a R$ 14.687.568,44.

“Pegaram o geral da despesa entre liquidada e paga, incluindo recurso vinculado. Desses R$ 40 milhões, entram despesas com folha, obrigações do mês e recursos carimbados. Nesta semana a conta já deve baixar de R$ 15 milhões, mas há algumas coisas em atraso, sim”, afirmou o prefeito ao Four News.

A diferença entre os números está na forma de leitura do relatório contábil. Pela ótica contábil, a diferença entre o que foi liquidado e o que foi efetivamente pago até 30 de junho soma mais de R$ 40 milhões. Já a Prefeitura argumenta que esse total não pode ser interpretado automaticamente como dívida corrente ou atraso integral da gestão com fornecedores, já que parte dos valores se refere a despesas obrigatórias, verbas vinculadas e compromissos que seguem fluxo próprio de pagamento.

Na prática, a administração sustenta que o quadro de Sidrolândia não é isolado. O argumento é que a pressão sobre o caixa municipal acompanha um cenário nacional de desaceleração econômica, aumento de custos operacionais, crescimento de despesas obrigatórias e dificuldades enfrentadas por prefeituras de diferentes portes para manter o equilíbrio entre arrecadação e despesas em áreas essenciais, como saúde, educação, transporte e assistência social.

Ainda assim, o prefeito reconheceu a existência de pendências em aberto. A discussão, neste momento, se concentra menos na existência ou não de atrasos e mais no tamanho real desse passivo, na origem de cada despesa e na velocidade com que esses pagamentos serão regularizados ao longo das próximas semanas.

A expectativa da Prefeitura é reduzir o saldo em aberto com recursos próprios ainda nos próximos dias, com pagamentos já programados. O debate, porém, deve continuar girando em torno da necessidade de maior transparência sobre o detalhamento dessas despesas, especialmente para separar o que é obrigação de fechamento de mês, o que depende de recursos vinculados e o que de fato representa atraso com fornecedores, prestadores de serviço e entidades que atendem a população.

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Foto: Four News

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