Administradora judicial fechou contrato por R$ 150 mil mensais, enquanto outra empresa ofereceu R$ 200 mil; credores e defesa questionam negociação

A crise envolvendo o Frigorífico Balbinos, em Sidrolândia, ganhou um novo capítulo poucos dias após a Justiça decretar a falência da empresa. Agora, a discussão gira em torno de quem ficará com o arrendamento da planta frigorífica e, principalmente, quanto será pago mensalmente pelo uso da estrutura.
A administradora judicial Ourives & Marques Advogados e Consultores fechou contrato para arrendar a unidade à Beauvallet Goiás Alimentos Ltda., braço brasileiro de um grupo francês, pelo valor de R$ 150 mil por mês, inicialmente pelo período de 180 dias.
A negociação, porém, passou a ser questionada depois que surgiu uma proposta de R$ 200 mil mensais, apresentada pela RKO Alimentos Ltda., pelo período de 12 meses.
A diferença é de R$ 50 mil por mês, colocando em discussão se a escolha da proposta de menor valor seria realmente a mais vantajosa para a massa falida e seus credores.
Contrato foi assinado durante prazo para manifestações
Outro ponto que chama atenção está no andamento do processo.
No dia 25 de agosto, a Justiça determinou prazo de cinco dias para que as partes envolvidas e o Ministério Público se manifestassem sobre o arrendamento.
Entretanto, o contrato entre a administradora judicial e a Beauvallet foi assinado no próprio dia 25, fixando o pagamento mensal de R$ 150 mil.
A Beauvallet também depositou uma caução de R$ 450 mil, equivalente a três mensalidades.
Posteriormente, a RKO apresentou no processo sua proposta de R$ 200 mil mensais e passou a pedir que a Beauvallet não assuma a posse da planta, defendendo que o arrendamento seja destinado à empresa que ofereceu o valor maior.
Credores questionam negócio
Credores da Balbinos também se manifestaram contra a forma como o arrendamento foi conduzido.
Entre os questionamentos está a ausência, segundo os credores, de uma avaliação do principal ativo da empresa que permita estabelecer se os R$ 150 mil mensais representam um valor adequado para o mercado.
A preocupação é diretamente ligada ao pagamento das dívidas, já que quanto maior for a arrecadação obtida com os bens da massa falida, maior poderá ser a disponibilidade de recursos para os credores.
Defesa da Balbinos também pede explicações
A defesa da Balbinos afirmou que não é contra a retomada das atividades do frigorífico, mas questiona a rapidez e os critérios utilizados para fechar o arrendamento.
Os advogados também apontaram que precisam ser esclarecidas as tratativas que, segundo a defesa, teriam começado antes mesmo da decretação da falência, além da escolha de uma proposta financeiramente inferior diante da existência de outra oferta.
Administrador judicial fala em urgência
Por outro lado, o administrador judicial defende que havia urgência para manter a estrutura funcionando.
Segundo a justificativa apresentada, máquinas e equipamentos poderiam sofrer deterioração caso permanecessem parados. Também foi apontado risco envolvendo a amônia utilizada na planta frigorífica, com possibilidade de danos ambientais caso a unidade permanecesse fechada.
A administração judicial afirmou ainda que propostas melhores poderão ser analisadas pelos credores e pela Justiça.
Falência foi decretada em agosto
A falência da Balbinos Agroindustrial Ltda. foi decretada no dia 20 de agosto pelo juiz José Henrique Neiva de Carvalho e Silva.
A empresa já enfrentava uma grave crise financeira e havia entrado em recuperação judicial com dívidas que ultrapassavam R$ 120 milhões.
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Foto: Divulgação



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