Opração aponta prisão de empresários, profissionais da saúde, servidores e do ex-prefeito Júnior Vasconcelos; esquema investigado teria movimentado mais de R$ 27 milhões

A Operação Gutenberg, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) na manhã desta terça-feira (7), ganhou novos desdobramentos e revelou a prisão de dentistas, médica, servidores públicos e do ex-prefeito de Fátima do Sul, Júnior Vasconcelos, no âmbito da investigação que apura um suposto esquema de corrupção e fraude em contratos públicos em Mato Grosso do Sul.
Ao todo, a ofensiva do Ministério Público de Mato Grosso do Sul cumpre 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em cidades de Mato Grosso do Sul, além de alvos em São Paulo e Goiás. A investigação mira um grupo suspeito de fraudar compras públicas, direcionar contratos e lavar dinheiro por meio da comercialização de livros paradidáticos.
Entre os presos estão a cirurgiã-dentista Rossana Paroschi Jafar e a filha dela, a empresária e médica Olívia Paroschi Jafar, além do ex-prefeito Júnior Vasconcelos, que atualmente atua como chefe de gabinete do deputado estadual Jamilson Name na Assembleia Legislativa. Também há servidores públicos entre os alvos da operação, segundo as informações divulgadas ao longo da manhã.
De acordo com o Gaeco, o grupo investigado teria movimentado mais de R$ 27 milhões em contratos públicos firmados com prefeituras e estruturas do poder público, usando a aquisição de livros paradidáticos como fachada para o esquema. A suspeita é de que procedimentos de contratação fossem fraudados por meio de inexigibilidade de licitação, com direcionamento das compras e participação de agentes públicos corrompidos.
A apuração também aponta um elo ainda mais grave: a influência de servidores ligados à saúde pública para pressionar municípios e gestores. Segundo a investigação, autorizações de exames, cirurgias e até vagas em hospitais da rede estadual poderiam ser condicionadas à compra dos livros comercializados pelo grupo, ampliando o alcance do suposto esquema para além da educação.
As diligências desta terça-feira ocorreram em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, São Paulo e Abadiânia (GO). Em Campo Grande, equipes do Gaeco estiveram em endereços ligados aos investigados e também no Core (Complexo Regulador Estadual), que entrou no radar da investigação por causa da suspeita de interferência na regulação da saúde.
O nome da operação, “Gutenberg”, faz referência a Johannes Gutenberg, inventor que popularizou a impressão de livros. No caso investigado, porém, o material paradidático aparece, segundo o Ministério Público, como o instrumento usado para dar aparência de legalidade a contratos públicos supostamente fraudados.
Com as prisões e buscas realizadas nesta terça-feira, a operação entra em uma fase decisiva e deve aprofundar a identificação do papel de cada investigado, além do destino do dinheiro movimentado pelo esquema. O caso já é tratado como uma das mais graves investigações recentes envolvendo contratos públicos, saúde e educação em Mato Grosso do Sul.
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Foto: Divulgação



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